Adelina foi transferida para o quarto do hospital.
O médico parou diante dela com uma expressão severa.
— Sra. Botelho, você precisa tomar uma decisão o mais rápido possível. — O médico foi direto. — Se continuar assim, você correrá um grande risco. Este bebê não está saudável, o desenvolvimento do coração e do cérebro está comprometido. Quanto mais tempo passar, mais difícil será lidar com a situação.
A implicação era clara: ela não poderia manter o bebê.
A jovem assistente sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao ouvir aquilo.
É claro que Adelina já sabia de tudo isso; desde o início da gravidez, ela estava ciente do estado da criança.
Chegar a esse ponto não era uma surpresa para ela.
Suas mãos se fecharam em punhos apertados.
Mesmo que ela não pudesse manter a criança, usaria até a última gota de seu valor.
Diante daquela situação, Adelina ergueu os olhos para o médico.
— Quanto tempo eu consigo aguentar no máximo? — Adelina tomou a iniciativa de perguntar.
O médico franziu a testa com gravidade:
— Cerca de quinze dias. Se não fizermos o procedimento, o bebê não sobreviverá de qualquer forma, ele já está muito fraco. E, quando isso acontecer, você também será afetada. Considerando o seu quadro cerebral atual, as consequências seriam inimagináveis.
Adelina ouviu essas palavras em silêncio.
— Sra. Botelho, você deveria avisar o Sr. Pereira. — A assistente não conseguiu se conter e tentou aconselhá-la.
No entanto, Adelina olhou repentinamente para o médico:
— Eu quero voltar para o Brasil.
Essa simples frase fez a expressão do médico mudar:
— No seu estado...
Mas a postura de Adelina o fez perceber que seria impossível convencê-la do contrário.
Então, o médico desistiu.
A expressão da assistente também desmoronou completamente. Adelina virou-se para ela e ordenou:
— Compre as passagens. No máximo até amanhã, eu quero estar de volta a Lagoa Cristalina.
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