Cora sentiu apenas o toque quente vindo da palma da mão dele.
Seus dedos se encolheram.
Mas, no segundo seguinte, Bernardo já os havia aberto.
Os dedos firmes e ásperos dele se entrelaçaram aos dela, num aperto forte, e os dois ficaram de mãos dadas.
Quanto mais ela tentava se soltar, mais forte Bernardo a segurava.
Além disso, eles ainda estavam em um carro em movimento.
Era muito perigoso.
Então, no fim das contas, Cora desistiu.
No caminho para o restaurante, o celular no painel vibrou.
Cora viu de relance pelo reflexo do vidro.
Era uma ligação de Adelina.
Ela não disse nada.
Mas ela sabia muito bem que a notícia de antes já tinha chegado aos ouvidos de Adelina naquele exato momento.
Adelina provavelmente não estava suportando a pressão.
Exatamente como a própria Cora no passado.
Sendo derrotada repetidas vezes por diferentes golpes até o colapso total.
Afinal, Adelina sempre fora a prioridade absoluta de Bernardo desde o início
Ela estava esperando que Bernardo atendesse o telefone.
Mas Bernardo não fez menção alguma de atender a ligação.
Parecia estar testando a resistência de Adelina de propósito.
Felizmente, o carro parou em frente ao restaurante.
Cora saiu de seus pensamentos e falou rapidamente:
— Estamos atrasados, eu vou entrando.
Sem esperar por uma reação dele, Cora desceu rapidamente do carro e caminhou em direção ao restaurante.
O olhar de Bernardo escureceu levemente enquanto ele a observava se afastar, mantendo-se impassível.
O celular no painel continuava vibrando.
Adelina não estava aguentando.
Eles estiveram juntos por muitos anos, e Bernardo conhecia Adelina muito bem.
Adelina era muito mais dramática do que Cora.
Sempre precisava ser paparicada a cada momento de crise.
Se ela ligasse e a chamada caísse, ele normalmente retornaria.


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