Wilson era o braço direito de Bernardo, então era natural que o defendesse.
Pelo menos, era assim que Cora via a situação.
— Que tipo de acidente? — perguntou Cora, mantendo a voz firme e calma.
— Uma noite de embriaguez — Wilson foi direto ao ponto. — A Sra. Botelho se aproveitou de um momento em que o Sr. Pereira estava completamente bêbado, e foi assim que essa gravidez inesperada aconteceu.
Cora ficou realmente chocada; jamais imaginou que o filho de Adelina tivesse sido concebido daquela forma.
Ela nem sequer teve tempo de se recuperar da surpresa.
Wilson já continuava a falar.
— Durante todos esses anos, o motivo de a Sra. Botelho construir a carreira dela no exterior era exatamente para forçar o Sr. Pereira a ir atrás dela, assim como está fazendo agora. Mas a verdade é que o Sr. Pereira nunca cedeu a essas pressões, não é mesmo?
— ...
— Se o Sr. Pereira realmente quisesse, mesmo a senhora tendo sido a candidata escolhida pelo velho patriarca da família para ser a Sra. Pereira, ele teria encontrado inúmeras maneiras de dar o título oficial à Sra. Botelho. Mas ele nunca fez isso. A pessoa que ocupa o lugar de Sra. Pereira sempre foi a senhora.
— ...
— Quando o patriarca faleceu e a senhora pediu o divórcio, se o Sr. Pereira realmente quisesse se separar, bastaria assinar os papéis. Mas ele continuou adiando o processo. Conhecendo o Sr. Pereira como eu conheço, sei que ele não é homem de enrolações. Especialmente com a Sra. Botelho estando grávida.
Wilson expôs todas aquelas verdades pausadamente.
E cada frase deixava Cora ainda mais atordoada.
Por diversas vezes ela quis abrir a boca para contestar, mas parecia que Wilson sempre lia os pensamentos dela, entregando a resposta antes mesmo que ela perguntasse.
— A Sra. Botelho foi para o exterior com a intenção de pressionar o Sr. Pereira. E ele tem vários meios de forçá-la a voltar por conta própria, sem precisar ficar fingindo afeto em público pela senhora. Diante de tudo isso, a senhora não acha que essa é a maneira dele de tentar baixar a guarda e se aproximar? — Wilson decidiu ser ainda mais transparente. — Vocês viveram nesse impasse por muitos anos, não é fácil desfazer essa barreira de orgulho de um dia para o outro.
Os lábios de Cora se entreabriram.
Mas antes que pudesse fazer qualquer outra pergunta, a voz de Bernardo soou de repente:
— Wilson.
Ele olhou para o assistente com um brilho de aviso nos olhos.
Wilson abaixou a cabeça e, sem dizer mais uma palavra, virou-se rapidamente e foi embora.
Restaram apenas Bernardo e Cora no ambiente.
O colarinho da camisa de Bernardo não estava totalmente abotoado, deixando à mostra uma parte de seu peito musculoso.

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