Bernardo franziu a testa. Desta vez, era Cora quem detinha o controle. Ela olhou para Bernardo sem piscar.
— Bernardo, de repente você está me tratando bem só para me usar e provocar a Adelina? Quer que ela volte e ceda por conta própria, não é? — Cora perguntou com firmeza.
Ela mantinha o olhar ardente sobre Bernardo, carregado de uma certeza absoluta. Bernardo não respondeu, permanecendo em pé, impassível. Essa atitude fez Cora saber que tinha adivinhado a verdade. Ela deu uma risada baixa, cheia de sarcasmo. Mas não desviou os olhos de Bernardo, esperando pacientemente pela resposta dele.
Quando Adelina deu as costas e foi embora sem hesitar, Cora havia ficado surpresa. Mas, ao pensar com calma, ela entendeu que Adelina estava apenas forçando Bernardo a ceder. Aquela era a mesma tática que Adelina usara na época em que ela e Bernardo se casaram. Só que, naquela ocasião, Bernardo não teve escolha. No próprio dia do casamento deles, Bernardo voou direto para o exterior para procurar Adelina. Cora, ingenuamente, achava que era por causa de trabalho. Só mais tarde descobriu que era por causa de Adelina. Ela fora a maior piada de todas.
A situação agora era completamente diferente. Ela e Bernardo iam se divorciar, então era natural que Bernardo corresse atrás de Adelina. Cora estava casada com Bernardo há sete anos e o amara durante todo esse tempo. Conhecia perfeitamente cada movimento dele. Ele era um homem de pouca paciência. Por mais que amasse alguém, não permitiria que a pessoa passasse dos limites e fizesse o que bem entendesse.
A atitude de Adelina havia pisado na linha vermelha de Bernardo. Ela estava usando aquilo para forçá-lo a ceder, mas ele não abriria mão facilmente. Com os dois lados em um impasse, Adelina, obviamente, não tinha como vencer Bernardo. E Cora era a ferramenta perfeita para ele. Ela ainda ocupava a posição de Sra. Pereira, algo que Adelina desejava ardentemente. Naturalmente, Adelina nutria um ódio profundo por ela. Então, se Bernardo a tratasse bem, Adelina perderia a calma e acabaria voltando por conta própria. Portanto, agora a vantagem estava com ela, não com Bernardo.
— Cora, você está negociando comigo? — Bernardo perguntou com uma voz grave, após um longo silêncio.
Cora não negou, continuando:

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