Cora olhou para Bernardo, atônita, mas forçou um tom de voz calmo:
— Vou arrumar as coisas, me solta.
— Sente-se e fique comigo, o Nicolas também está aqui. Temos empregados para arrumar as coisas, você não precisa fazer isso — Bernardo disse, com a voz serena.
Como estavam na frente de Nicolas, Cora não podia fazer movimentos bruscos. Acabou se sentando, resignada. No entanto, a mão de Bernardo continuou segurando a dela, sem soltar em nenhum momento. Ela até conseguia sentir os dedos dele se entrelaçando aos seus, apertando com firmeza. Mas Cora não sentiu nenhuma intimidade naquilo, apenas um profundo desamparo. Era a mesma sensação de estar à deriva em um mar profundo, sem conseguir ver a costa. Aquela sensação de sobressalto constante tornava-se cada vez mais evidente. Ela ficou ali sentada, inerte, por um longo tempo. Até que o médico de Nicolas chegou, e Cora puxou a mão imediatamente.
— O médico do Nicolas chegou, vou lá falar com ele.
Ela sequer olhou para Bernardo ao dizer isso. Em seguida, Cora virou-se e caminhou em direção ao médico. Bernardo permaneceu onde estava, olhando para a própria mão vazia, com o rosto completamente inexpressivo.
Trinta minutos depois, Cora acompanhou o médico de Nicolas até a saída. Nicolas já tinha ido descansar. Quando ela voltou, viu que Bernardo a estava esperando. Ela ergueu os olhos por um instante e tentou desviar, passando ao largo dele. Bernardo continuou ali, parado. O coração de Cora batia acelerado. Mas, ao passar por ele, seu pulso foi capturado mais uma vez. Ela olhou bruscamente para Bernardo e, antes que pudesse reagir, foi puxada para ficar de frente para ele.
— Você não ligou para a Adelina, não é? — Bernardo perguntou de forma contida.
Ao ouvir o assunto ser trazido à tona novamente, Cora franziu a testa, mas manteve a postura altiva e inabalável. Ela puxou a mão com força, fazendo Bernardo franzir levemente o cenho. Cora deu um passo rápido para trás antes de pronunciar cada palavra com clareza:
— Bernardo, você já não me condenou? Então o que você disser é a lei, não há mais nada para falar sobre isso.

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