Ela ergueu os olhos para Bernardo, que já havia se levantado e mantinha uma postura altiva e dominadora.
— O que foi, você acha que se eu for gentil com você, mudei de ideia? — As palavras dele tornaram-se cortantes em um instante.
O rosto de Cora empalideceu, e a pergunta que estava na ponta da língua não foi feita.
Ah, como ela era tola.
— Cora, não se iluda e não teste os meus limites, você não vai aguentar as consequências. — Bernardo continuou a olhá-la com um tom de aviso.
— Ver sua barriga grande só me fez lembrar de Adelina. Não ache que, só porque você expulsou Adelina da Lagoa Cristalina, pode fazer o que bem entender. — Ele soltou um riso desdenhoso, soando frio e cruel.
Bernardo não mostrava a menor intenção de pegar leve com Cora.
Queria jogá-la diretamente no inferno.
— Não duvide do que eu disse. — Bernardo a encarou sem expressão. — Você sabe muito bem que eu cumpro o que prometo, certo? Então, da próxima vez, seja mais obediente, ou não respondo pelo que posso fazer.
Havia um tom ameaçador e sangrento nessas palavras, deixando o rosto de Cora ainda mais branco.
Ela se lembrou de quando Bernardo falou sobre abrir sua barriga para tirar o bebê e do estado miserável em que Nicolas se encontrava.
Ela acreditava que Bernardo era realmente capaz de fazer aquilo.
Por isso, Cora não retrucou, não disse uma única palavra.
Bernardo também não se estendeu, virou as costas e saiu do quarto principal.
Foi só quando a porta do quarto se fechou que Cora desabou na cama, suando frio.
O bebê na barriga, por outro lado, havia ficado quieto.
Ela não sabia se ele tinha se assustado ou se era outra coisa.
Cora o confortou por um longo tempo até que o bebê se remexesse levemente, como se respondesse à mãe.
— Bebê, a mamãe não vai deixar nada de ruim acontecer com você. — Cora sussurrou, acariciando-o, mas a sua voz soava firme.
O quarto principal estava mergulhado em um silêncio absoluto.
Do lado de fora da janela, o som de um motor pôde ser ouvido.
Cora virou o rosto e espiou pela fresta da cortina em direção às janelas de vidro.
Bernardo tinha ido embora.
Ela não esboçou grande reação.
Com Adelina na Lagoa Cristalina, ela não conseguia segurar Bernardo.
Sem Adelina lá, ela continuava não conseguindo segurá-lo.
Isso provava que, desde o início, nunca houve sentimento entre eles.



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