— Bernardo! — chamou Horácio, tentando detê-lo.
O mordomo também tentou segurá-lo, aflito:
— Sr. Pereira, eu o acompanho até lá em cima. A senhora está grávida...
— Eu disse para sumir daqui! — rosnou Bernardo, pausadamente.
Com isso, Bernardo empurrou o mordomo para longe e, em poucos passos, alcançou Cora.
Suas mãos grandes e fortes agarraram o pulso dela.
A embriaguez o deixava ainda mais cruel e implacável.
Suando frio de dor, Cora foi forçada a se virar e olhar para ele.
No fundo dos olhos de Bernardo, ela enxergou um aviso aterrorizante.
— O que foi? A Sra. Pereira agora quer lavar as mãos e fugir de suas responsabilidades? — Bernardo deu uma risada de escárnio.
Ele a puxava com força, sem a menor intenção de soltá-la.
Impulsionado pelo álcool, quase arrastava Cora pelo caminho.
Cora tropeçou e acabou torcendo o tornozelo.
Com a mão livre, ela protegia a barriga, com medo de que algo de ruim acontecesse.
Bernardo de agora tinha os olhos vermelhos e parecia já não se importar com mais nada.
Na mansão Pereira, as escadas eram de madeira e forradas com carpete.
Mesmo assim, ser arrastada por elas era extremamente doloroso.
Ainda mais para Cora, que estava grávida.
— Sr. Pereira, a senhora está grávi... — O mordomo olhava para Bernardo com desespero.
Bernardo não deu a menor atenção.
Horácio assistia à cena com o cenho franzido. Moveu levemente os lábios, mas no fim não disse nada e foi embora.
A mansão ficou ainda mais silenciosa.
Cora tentava resistir, mas não conseguia se soltar, sendo praticamente arrastada de volta para o quarto principal.
Queria gritar, mas não tinha coragem.
Porque Nicolas também estava naquele andar.


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