No segundo seguinte, ele poderia ir embora sem hesitar.
Nos movimentos apressados, Cora foi empurrada por Bernardo contra a cabeceira da cama.
Embora fosse acolchoada, o impacto ainda a sobressaltou.
Bernardo não deu a mínima. Arrumou-se rapidamente e saiu do quarto principal.
Cora voltou a si. Ao olhar para a gargantilha em seu pescoço, restou apenas escárnio em seus olhos.
O que ela estava implorando?
Implorando que ele se lembrasse do que ela gostava?
Implorando que ele lhe entregasse um presente com as próprias mãos?
Não, ela não deveria ansiar por nada disso. Ela só precisava ir embora, para bem longe de Bernardo.
Com esse pensamento, Cora forçou-se a levantar.
Suas pernas ainda tremiam.
Mas, diante da situação, não disse uma palavra. Esperou recuperar o fôlego e parou diante do espelho de corpo inteiro.
Encarou sua própria figura deplorável e, devagar, começou a tirar a gargantilha que Bernardo lhe dera.
Por falta de atenção, o fecho afiado cortou seu dedo.
O sangue brotou, manchando o diamante.
Ela observou em silêncio, sem soltar um som.
No fim, a gargantilha foi parar na caixa de joias.
Ela não a jogou fora.
Não por falta de vontade, mas por falta de coragem.
Mas, a partir do momento em que saísse dali, ela arrancaria pela raiz qualquer memória ligada a Bernardo.
Cora respirou fundo antes de caminhar, entorpecida, para o chuveiro.
A água morna lavou aos poucos o cheiro de Bernardo de sua pele.
Ao sair do banho, uma notificação de aplicativo saltou na tela de seu celular.
[Adelina deixa Lagoa Cristalina no meio da noite; Bernardo corre para o aeroporto para interceptar a musa.]
A reportagem da mídia de Luzia do Mar transbordava de insinuações ambíguas em cada palavra, indo direto ao ponto.
Cora clicou sem pensar muito. O artigo estava repleto de fotos em destaque.
Bernardo não tentou se esconder.
Adelina também não.
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