Mas ela não conseguia dizer palavras de rendição; não conseguia convencer a si mesma a fazer isso.
Naquela situação, Cora tinha total clareza de que nada poderia acontecer a Nicolas.
Se algo lhe ocorresse, seria ela quem desmoronaria.
E se ela simplesmente jogasse tudo para o alto, Bernardo também não conseguiria as ações.
Pensando nisso, ela se acalmou rapidamente.
Pelo menos no momento, Bernardo não ousaria fazer mal a Nicolas.
Na verdade, ele precisava garantir que o garoto continuasse vivo.
Cora sabia disso, mas tinha pavor de que Bernardo fizesse Nicolas viver sob coerção.
Ela percebeu que a pessoa em uma situação insustentável era ela mesma, não Bernardo.
Cora ficou aflita.
De repente, franziu a testa e olhou para cima instintivamente.
Bernardo abaixou a cabeça.
Seus lábios se tocaram, e a atmosfera tornou-se íntima.
Em sete anos de casamento, Cora nunca havia estado tão perto dele.
Ela congelou, sem saber como reagir.
O olhar de Bernardo escureceu, e ao pressionar seus lábios finos contra os de Cora, sentiu uma textura macia.
Beijá-la era sentir lábios macios como veludo e um leve doce no ar.
Era muito diferente do perfume de Adelina; um doce que trazia uma sensação de puro conforto.
No fundo, ele sabia que a boca de Cora era linda.
Quando ela falava, havia algo sedutor nela.
Porém, era a primeira vez que Bernardo a enxergava daquela forma, ele engoliu em seco, tomado por uma inquietação, tomado por uma inquietação indescritível.
Num piscar de olhos, sua mão envolveu a cintura de Cora.
O simples toque se transformou em um beijo profundo.
Ele invadiu cada centímetro de sua alma, como se milhares de formigas rastejassem pelo seu peito, provocando um calor insuportável.
Cora jamais imaginou que Bernardo fosse beijá-la de repente.
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