Quando aquele rosto bonito se aproximou do seu, Cora sentiu pânico.
Nos olhos de Bernardo, ela enxergou uma intenção assassina.
Por um momento, Cora foi erguida inteiramente por ele.
Embora estivesse grávida, seu peso não havia aumentado muito, e ela continuava leve como uma pena.
No instante em que foi levantada, sentiu uma contração no ventre e, instintivamente, protegeu a barriga.
— Bernardo, o que você está fazendo? — Cora perguntou, tensa.
Bernardo soltou uma risada fria e a prensou contra a parede.
Sua espinha bateu contra a superfície, e o revestimento estofado amorteceu o impacto.
Caso contrário, ela realmente acharia que sua coluna iria quebrar.
— O que eu estou fazendo? O que eu te disse antes? Para não provocá-la. E o que você faz? Fica me testando vez após vez? — Bernardo rosnou, sombrio.
Cora continuou presa contra a parede, e a mão de Bernardo apertou seu pescoço.
A familiar sensação de sufocamento a atingiu em cheio.
O rosto de Cora empalideceu.
Com dificuldade para respirar, ela sentiu o bebê se contorcer freneticamente em seu ventre, como um pedido de socorro.
— O... bebê... — Cora conseguiu articular com muito esforço.
Só então Bernardo se deu conta de que Cora também estava grávida.
Ele a soltou bruscamente, e Cora escorregou até o chão.
Por um instante, um silêncio assustador tomou conta do quarto.
As mãos de Bernardo se fecharam em punhos apertados, mas ele não fez menção de ajudá-la a se levantar.
Cora ficou sentada no chão, arfando em busca de ar.
Bernardo a observava de cima, questionando cada palavra.
— Cora, você comprou perfis falsos para impulsionar comentários chamando a Adelina de amante. Ela está grávida, não pode se estressar. Nisso tudo, ela foi inocente do começo ao fim. Por que você insiste em ser tão cruel? — Bernardo a culpava em cada sílaba.
Cora ergueu a cabeça e finalmente olhou para Bernardo.


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