Cora encarou Bernardo, mas pelo canto do olho acompanhava a presença de Adelina Botelho.
De repente, ela entendeu a sensação de ser a vilã da história. Era catártico.
— Você vai mesmo tornar isso público? — Cora perguntou com indiferença. — Não tem medo de que Adelina fique chateada?
— Ela não ficará. Sempre foi compreensiva e dócil, não me criaria problemas com esse tipo de coisa. — Bernardo afirmou com convicção.
Cora abaixou a cabeça e soltou uma risada leve.
— Bernardo, por que está tentando me agradar agora? — ela continuou a perguntar.
De repente, seus olhos gentis ganharam um brilho de humor, parecendo ao mesmo tempo suaves e radiantes.
Bernardo teve um momento de distração.
Em seu ouvido, soou a voz quase provocativa de Cora:
— Não me diga que se apaixonou por mim? Espera que possamos reatar?
Ao ouvir isso, a expressão de Bernardo mudou instantaneamente, tornando-se sombria e aborrecida. Sentiu que Cora estava passando dos limites.
Mas Cora havia alcançado seu objetivo, pois viu o rosto de Adelina empalidecer, sem sequer a coragem de se aproximar e perguntar.
Ela sabia que Adelina entendia perfeitamente qual seria a escolha de Bernardo antes de conseguir as ações.
Durante os sete anos de casamento, Adelina esteve sempre cercando Bernardo, aproveitando-se da proximidade para ganhar vantagem.
Agora, o jogo havia virado. Cora detinha o controle da situação.
Ela observou Adelina dar as costas e ir embora, apertando o passo, mas, por fora, Cora não demonstrou nenhuma reação.


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