Assim que terminaram de falar, Cora ouviu um barulho vindo do lado de fora.
Ela desligou o telefone.
E logo viu Bernardo entrando.
Cora manteve uma expressão calma na superfície. Naturalmente, Bernardo notou o movimento dela ao desligar a chamada, mas não expôs a situação.
Ele caminhou calmamente até parar na frente dela.
Cora levantou a cabeça, encarando Bernardo com tranquilidade.
— O mordomo disse que você quase não tocou no seu lanche. Não agradou ao seu paladar? — Bernardo perguntou a Cora, com uma voz leve.
Não havia muita emoção, era apenas uma pergunta factual.
— Se você não gosta da comida dele, mandarei ele embora e contratarei outro. — Bernardo disse de forma direta e cruel.
Cora franziu as sobrancelhas levemente:
— Eu apenas estou sem apetite, por isso não quero comer muito.
Bernardo a observou, e ela não desviou o olhar.
No entanto, naqueles olhos escuros e insondáveis, ela não conseguia decifrar os sentimentos dele.
Ainda assim, sentiu uma leve onda de medo.
Em seguida, Cora viu o mordomo entrar, seguido pelo chef e por um nutricionista.
— Senhora, o seu lanche. — O mordomo anunciou, com extrema reverência.
Cora abaixou os olhos para olhar.
Eram os melhores ingredientes, preparados com uma técnica culinária perfeita; tanto a apresentação quanto o aroma eram capazes de dar água na boca a qualquer um.
Mas ela realmente não tinha apetite.
— Não quer provar? — Bernardo de repente se inclinou para frente, levando uma colher até os lábios de Cora.
O aroma da canja de galinha invadiu o ar.
Cora sentiu uma leve náusea.
Ela não sabia se era pelo cheiro da sopa ou pela atitude de Bernardo.
Ela virou o rosto, desviando o olhar do prato.
— Cora, agindo assim você vai deixar o meu filho com fome. — Bernardo comentou de maneira neutra.
A frase soava íntima, mas cada palavra carregava um tom perigoso, com a voz abafada numa clara forma de coação.
Cora sabia que a paciência de Bernardo era escassa.
Nos últimos dias, a bondade dele em relação a ela era apenas superficial.
Porém, se esse limite fosse ultrapassado, ele arranjaria novas maneiras de atormentá-la.
Cora achava que, mais cedo ou mais tarde, acabaria enlouquecendo.
Ela não queria bater de frente com Bernardo, então abaixou a cabeça e comeu.


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