Logo, Bernardo cuidou de seus ferimentos e voltou calmamente para a suíte principal.
Cora tinha acabado de se arrumar e saiu.
Ela viu Bernardo encostado na cama, vestindo seu pijama.
Ela não disse nada, caminhou por hábito até o seu lado da cama, deitou-se e virou as costas para ele.
Bernardo lançou um olhar indiferente e não a incomodou.
Na verdade, Cora não estava dormindo, estava tensa.
Além disso, o celular de Bernardo não parava de vibrar, com mensagens aparecendo uma após a outra.
Ela sabia muito bem que eram mensagens de Adelina.
Ironicamente, Bernardo não leu nem respondeu a nenhuma delas.
Eles dividiam o mesmo espaço, mas pareciam linhas paralelas que nunca se cruzariam.
Logo a vibração do celular parou, mas a tela continuava acendendo de tempos em tempos.
Cora imaginou que Bernardo devia ter colocado o aparelho no modo silencioso.
Até que as luzes da suíte principal se apagaram.
Cora fechou os olhos, fingindo estar dormindo.
Só então Bernardo olhou para Cora, escutou sua respiração regular e levantou-se silenciosamente.
Quase no exato momento em que Bernardo saiu, Cora abriu os olhos.
Ela sabia que ele tinha ido procurar Adelina.
Portanto, a exigência dela tinha sido apenas uma concessão superficial.
Cora sentiu-se cada vez mais apática.
Ela fechou os olhos e, por fim, a exaustão a fez cair em um sono profundo.
Bernardo caminhou em direção à cozinha e, ao passar pelo espelho de corpo inteiro, viu as marcas de arranhões em seu próprio corpo.
Tinham sido deixadas por Cora durante a intensidade de momentos antes.
A antiga Cora era cautelosa e nunca faria algo tão fora dos limites.
A Cora de agora parecia ter chutado o balde, agindo sem qualquer escrúpulo.
Bernardo ficou diante do espelho observando; não dava para dizer se aquilo era bom ou ruim.
Só quando o celular recebeu mais uma mensagem de Adelina, Bernardo disfarçou suas emoções.

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