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Ele Só Percebeu Quando Ela Sumiu romance Capítulo 158

O apartamento mergulhou em silêncio depois da última mensagem.

Isabela continuava olhando para a fotografia.

Seu pai.

Augusto.

E aquele terceiro homem.

O homem que Henrique jurava ter visto no prédio da rede.

A peça que faltava.

Ou pelo menos uma parte dela.

Henrique puxou uma cadeira e sentou-se diante da mesa.

A foto continuava aberta no celular.

— Eu tenho certeza.

A voz dele saiu firme.

— Não foi alguém parecido.

Era ele.

Isabela passou a mão pelos cabelos.

O cansaço começava a aparecer.

Mas não era um cansaço físico.

Era o peso de descobrir que cada resposta gerava três novas perguntas.

— O que ele estava fazendo lá?

Henrique apoiou os cotovelos nos joelhos.

— Não parecia alguém importante.

Isso chamou a atenção dela.

— Como assim?

— Ninguém reagia à presença dele.

Ele parecia invisível.

O silêncio caiu.

E então algo se encaixou.

Isabela levantou os olhos.

— É exatamente esse tipo de pessoa que controla tudo.

Henrique percebeu imediatamente.

Os líderes apareciam.

Os executores também.

Mas os verdadeiros estrategistas...

Não.

Permaneciam esquecidos.

Ignorados.

Subestimados.

O celular vibrou novamente.

Dessa vez não era uma mensagem.

Era um arquivo.

Uma pasta compactada.

Sem remetente.

Sem explicação.

Apenas enviada.

Henrique aproximou-se.

— Vai abrir?

— Claro que não.

Ele sorriu.

— Finalmente uma decisão sensata.

Isabela quase revirou os olhos.

Quase.

Porque a verdade era que ela queria abrir imediatamente.

Mas aquilo era óbvio demais.

Outra armadilha.

Outra provocação.

O telefone tocou.

Os dois congelaram.

Número desconhecido.

Novamente.

Henrique e Isabela trocaram um olhar.

Ela atendeu.

Silêncio.

Depois uma respiração.

Lenta.

Controlada.

E então...

— Você está atrasada.

A voz era diferente.

Não era Augusto.

Não era o homem anterior.

Era outra pessoa.

Mais velha.

Mais fria.

— Quem está falando?

A pergunta saiu firme.

A resposta veio imediatamente.

— O homem da fotografia.

O coração dela disparou.

Henrique ficou imóvel.

A voz continuou.

— Você demorou muito para me encontrar, Isabela.

Ela apertou o celular.

— Quem é você?

Um breve silêncio.

Como se ele estivesse decidindo quanto revelar.

— Meu nome não importa.

— Importa para mim.

— Então me chame de Samuel.

O nome não significava nada.

Mas algo na voz dele...

Parecia familiar.

Estranhamente familiar.

— Você conhecia meu pai.

— Sim.

— E Augusto.

— Sim.

— Então por que está fazendo isso?

A resposta demorou.

Quando veio, parecia carregada de algo antigo.

Algo amargo.

— Porque alguém precisa terminar o que começou há trinta anos.

O silêncio caiu.

Henrique observava cada reação dela.

Samuel continuou.

— Seu erro foi acreditar que a história começou quando você entrou nela.

— Então começou quando?

— Quando três homens decidiram guardar um segredo.

O coração de Isabela acelerou.

Ela olhou novamente para a foto.

Três homens.

Os mesmos três.

— Que segredo?

Samuel soltou uma risada baixa.

Sem humor.

— Essa é a pergunta que custou vidas.

O silêncio ficou mais pesado.

— Meu pai está morto.

— Talvez.

A resposta atingiu como um golpe.

Isabela ficou imóvel.

Henrique também.

Samuel continuou.

— Augusto sabe a verdade.

Eu sei a verdade.

A única pessoa que não sabe...

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