Lucas e Giovanna trocaram olhares e, por uma fração de segundo, ambos demonstraram surpresa.
Logo em seguida, a expressão de Giovanna voltou à mais absoluta frieza e indiferença. Ela continuou tomando seu suco como se ele nem existisse.
Fosse qual fosse o motivo para Lucas estar ali, não lhe dizia respeito.
Lucas, no entanto, trincou o maxilar. Ele estava ali para se desculpar com o Sr. Gustavo.
A mera ideia de Giovanna testemunhá-lo sendo humilhado e rebaixado por Gustavo fez com que ele quisesse desaparecer no mesmo instante.
Percebendo sua hesitação em avançar, Elpídio Rocha sussurrou uma advertência:
— Gustavo vai voltar para a matriz na Capital em dois dias. Esse pedido de desculpas não pode ser adiado. Além do mais, foi o seu Grupo Albuquerque que causou toda essa confusão. Vai dar para trás agora? É só brindar e pedir desculpas. Não tem mistério. Pelo bem do Grupo Albuquerque, você tem que engolir esse orgulho e suportar.
Engolir o orgulho.
Essas palavras eram estranhas para ele.
Acostumado a uma vida de privilégios e sucessos ininterruptos, Lucas nunca imaginou que o conceito de humilhação algum dia bateria à sua porta.
Ele rangeu os dentes, sufocando a frustração corrosiva no peito, e acompanhou Elpídio para cumprimentar Gustavo.
— Sr. Gustavo.
Gustavo apenas assentiu, gélido.
Sabendo que Lucas seria incapaz de quebrar o gelo, Elpídio tomou a iniciativa de puxar assunto.
Giovanna, sentada ao lado, permanecia estática e alheia à presença deles, tomando seu suco no mais sepulcral silêncio.
Gustavo olhou para o Sr. Lemos:
— A comida ainda não chegou? Poderia verificar isso, por favor, Sr. Lemos?
— Claro — o Sr. Lemos assentiu prontamente.
Quando ele ia se levantar, os garçons entraram com os pratos.
O Sr. Lemos sorriu:
— Falaram no diabo, poupou-me a viagem.
Elpídio e Lucas ficaram em pé de lado, solenemente ignorados, tratados como poeira no ar.
Lucas sentiu que a insolência de Gustavo beirava o insuportável.
Em todos os jantares de negócios que frequentara no passado, os anfitriões sempre esperavam sua chegada para fazer os pedidos e, durante as refeições, ele era invariavelmente o centro das atenções. Ser descartado daquela forma foi um golpe direto em sua arrogância blindada.
Assim que os pratos foram servidos, Gustavo pareceu de repente se recordar de algo e virou-se para Elpídio:
— Quase me esqueci. Ainda não perguntei o que o Sr. Elpídio gostaria de comer. O cardápio está aqui, fique à vontade.
Elpídio sabia perfeitamente que Gustavo, apesar da posição que ocupava, não era do tipo que dificultava as coisas de propósito para ninguém.
Ficou claro que, dessa vez, Lucas havia ofendido o homem de forma irreparável, fazendo com que sobrasse até para ele.
Lucas reprimiu a humilhação rastejante, erguendo os cantos dos lábios em um sorriso autodepreciativo. Levantou-se, ergueu sua taça em direção a Gustavo e adotou uma postura comedida:
— Sr. Gustavo, recentemente alguns de nossos funcionários agiram por conta própria e cometeram erros estúpidos que afetaram a imagem do Grupo Goulart. A culpa foi da minha falha na gestão. Peço que o Sr. Gustavo seja magnânimo e aceite minhas desculpas.
Gustavo permaneceu recostado na cadeira, seus olhos escuros completamente desprovidos de qualquer calor.
Como ele não abriu a boca para responder, Lucas não ousou sentar-se.
Antes, era sempre Lucas quem ocupava aquela cadeira, olhando os outros de cima a baixo como formigas.
A inversão de papéis foi algo brutal para sua adaptação. Uma pedra invisível esmagava seu peito, sufocando-o.
Após um longo e agonizante silêncio, Gustavo finalmente soltou uma risada fraca:
— Acha que uma única taça de vinho apaga tudo?
Ele então olhou para Elpídio:
— O que o tio Rocha acha?
Ouvir aquele “tio Rocha” trouxe um súbito alívio para o coração de Elpídio.
Se ele ainda reconhecia o relacionamento do passado, havia margem para negociação.
Elpídio riu de forma conciliadora:
— Uma taça realmente não é o suficiente. Lucas ainda é jovem, e falhas na gestão são inevitáveis, resultando nas burradas dos subordinados. No mínimo, ele tem que beber três taças.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Me Chamou de Estéril, Mas Eu Carregava o Herdeiro do Magnata
Não vão atualizar os capítulos liberados? Seis já sem atualização!...
Olá! Irão desbloquear? Caso não vão, gostaria de saber para desistir do livro, mesmo ele sendo muitoooooo bom !...
Por favor, o capítulo 191 consta como liberado, mas não está...
Teria como liberar os capítulos após o 191? Consta que estão livres, mas continua bloqueados...
Por favor, atualizem!...
Poxa, tá liberado até o 190 e depois pula pro 227 liberado.......