Antes mesmo de recolher a mão, os cílios de Gustavo tremeram de leve. De repente, ele abriu os olhos; os orbes escuros fixaram-se nela com uma intensidade assustadora, como se ele não estivesse minimamente bêbado.
Giovanna congelou por um instante, mas logo recuperou os sentidos e perguntou, com a voz ligeiramente tensa:
— Sr. Gustavo, você não está bêbado?
O olhar dele foi se suavizando aos poucos e, lentamente, ele tornou a fechar os olhos.
— Hum. Não estou bêbado.
Ele dizia não estar bêbado, mas, ao mesmo tempo, inclinou o corpo em direção a ela, descansando a cabeça no seu ombro.
Giovanna não ousou se mover, o coração batendo disparado.
Como ele poderia não estar bêbado?
Estava obviamente fora de si.
Caso contrário, por que apoiaria a cabeça no ombro dela?
Apesar de ainda não o conhecer bem, ela já havia percebido que, por trás daquela fachada educada de cavalheiro, escondia-se uma essência profundamente gélida e indiferente. Com exceção da Avó Goulart, ele mantinha todos a uma distância calculada.
O motorista voltou com o celular. Ao ver Gustavo deitado no ombro de Giovanna, ficou surpreso por um segundo, mas recompôs-se rapidamente e disse com tranquilidade:
— Desculpe pelo incômodo, Srta. Giovanna. Vou deixá-la em casa primeiro.
— Não precisa — respondeu ela. — O Sr. Gustavo está bêbado. Leve-o direto para casa, eu pego um táxi.
Dizendo isso, tentou endireitar o corpo de Gustavo para sair, mas ele simplesmente estendeu o braço e a pressionou contra o banco.
Antes que ela pudesse reagir, sentiu a respiração quente do homem tocando a pele do seu pescoço.
Causava cócegas.
Um formigamento entorpecente.
Seu rosto corou na mesma hora.
O motorista deu um sorriso contido:
— Acho que o Sr. Gustavo também prefere que eu a leve.
Dito isso, deu a partida no carro.
Giovanna permaneceu estática. Sentindo a aura imponente que emanava de Gustavo, seu coração saltava desesperado no peito.
Nem mesmo na época em que namorava Lucas, ela havia sentido uma palpitação tão violenta.
No entanto, recusou-se a acreditar que aquilo fosse algum tipo de atração romântica.
Provavelmente era só a proximidade repentina de um homem de um status e poder tão opressores que a deixava tão nervosa.
De repente, o celular de Gustavo começou a tocar.
Giovanna hesitou, sem saber se devia atender, quando o motorista sugeriu:
— Srta. Giovanna, dê uma olhada, por favor, se é a velha senhora ligando. Se for, avise-a que chegaremos em breve.
— Muito obrigado por cuidar do Sr. Gustavo, Srta. Giovanna — o motorista sorriu em agradecimento.
Ela deu uma última olhada para Gustavo, que permanecia de olhos fechados, e finalmente desceu do veículo.
O carro voltou a andar.
O motorista subiu completamente os vidros traseiros.
Subitamente, Gustavo abriu os olhos, o rosto reassumindo sua habitual expressão fria e inacessível.
O motorista avisou, em voz baixa:
— Sr. Gustavo, aquele carro que estava nos seguindo conseguiu tirar fotos do senhor.
Gustavo apenas murmurou um "hum" em resposta.
Hesitante, o motorista prosseguiu:
— Envolver a Srta. Giovanna nisso... não seria uma má ideia?
Gustavo falou num tom absolutamente desprovido de emoção:
— A avó gosta dela. Qualquer aproximação entre mim e a Giovanna será vista como verossímil. E já que estou usando-a para meus propósitos, farei questão de compensá-la muito bem depois.
Ele desviou o olhar para as luzes de neon lá fora, com uma expressão gélida cortando o seu rosto.
— Eu sei muito bem qual é o jogo que a Família Peixoto está tramando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Me Chamou de Estéril, Mas Eu Carregava o Herdeiro do Magnata
Não vão atualizar os capítulos liberados? Seis já sem atualização!...
Olá! Irão desbloquear? Caso não vão, gostaria de saber para desistir do livro, mesmo ele sendo muitoooooo bom !...
Por favor, o capítulo 191 consta como liberado, mas não está...
Teria como liberar os capítulos após o 191? Consta que estão livres, mas continua bloqueados...
Por favor, atualizem!...
Poxa, tá liberado até o 190 e depois pula pro 227 liberado.......