Fariam duas escalas antes de chegar à Cidade L.
Lá, uma vida totalmente nova começaria.
Luciano já havia feito o seu melhor para organizar tudo.
A eleição de Isaías não era da sua conta, nem o seu irmão obcecado por poder.
Ele não teria mais nada a ver com eles.
Então, por favor, que eles também não perturbassem mais a sua vida.
Se a Cidade L fosse um bom lugar para viver, e se Valentina e Sávio gostassem, eles morariam lá para sempre.
Se gostassem de cidades com canais, se gostassem de Línan, eles iriam, e morariam lá para sempre.
Luciano não queria, nem desejava, ter mais qualquer relação com essas pessoas.
Ele desviou o olhar e, quando estava prestes a voltar, seu olhar parou de repente.
No terminal do aeroporto, ele viu alguém que jamais deveria estar ali.
Seu meio-irmão.
— William. — O olhar do outro era sombrio e silencioso. Ao seu lado, alguns guarda-costas estavam parados, um deles segurando Sávio, que acabara de sair do banheiro. — Foi difícil te encontrar.
Sávio não entendia bem a situação, suas pernas estavam fracas e ele sentia medo.
— ...Pai.
A expressão de Luciano estava tensa.
— O que você quer?
— Eu é que deveria perguntar o que você quer. — O homem parecia ser o único com dor de cabeça. — A eleição do pai já está me dando problemas suficientes, por que você está causando mais confusão?
O rosto de Luciano estava sombrio e frio.
— Nossa relação não é próxima o suficiente para você usar a palavra "confusão".
O homem pressionou as têmporas, impotente.
— Você realmente acha que nossa relação pode ser cortada com uma simples frase sua? Enquanto você viver neste mundo, enquanto o sangue do pai correr em suas veias, por toda a sua vida, você será e só poderá ser o filho do pai.
— Eu sei que você não quer admitir, e eu também não quero admitir que você é, mas a realidade é essa.
— Você anda por aí com esse estorvo e com a mulher de outro homem, acha que isso é algo glorioso? — O homem riu friamente. — Se isso afetar a eleição do pai, você merecerá a morte, morrerá mil vezes e não será suficiente.
— E eu te aviso para não fazer mais nenhuma luta inútil. Você sabe, eu não gosto de você nem desse gordinho, eu os detesto. Quando eu vim, o pai me mandou um recado.
— Se você resistir, a maneira de resolver completamente este seu problema é... erradicar o problema pela raiz.
Enquanto dizia isso, o homem olhou para o garoto gordo atrás dele.
Esta não era a melhor solução.
Porque não existe uma maneira perfeita de eliminar alguém.
Mesmo que houvesse uma chance em um milhão de ser descoberto e afetar a eleição, seria um problema.
No entanto, se Luciano resistisse demais, esta seria a única medida a ser tomada.
Afinal, a eleição vinha em primeiro lugar.
Sávio ficou com raiva e começou a se debater.
— Pai!
Fausto Prado, irritado com ele, mandou o motorista levá-lo primeiro.
As sobrancelhas de Luciano se contraíram.
— Fausto.
— Luciano. — O homem também o olhou. — Não há nenhum sentimento fraternal entre nós, então você não precisa me chamar pelo nome.
Ele recuperou a compostura e olhou de soslaio para Fausto.
Luciano ergueu a mão cavalheirescamente, indicando que ele ficasse à vontade.
Cícero desferiu outro soco, empurrando Luciano contra a parede, agarrando seu colarinho.
Sua mão foi arranhada pelo clipe da gravata.
Seu olhar se aprofundou, e ele desferiu outro soco violento.
— ...Você não passa de um rato de esgoto. — Luciano disse, ofegante, olhando para ele. — Você sabe que Valentina me ama, que não pode nos separar, então só pode usar esses meios sórdidos para me forçar a ir embora.
Depois de dizer isso, Luciano olhou para a sua expressão superficialmente calma, mas que na verdade estava tensa de raiva, e sorriu com desdém.
— Você também é patético. Pelo resto da vida, nunca mais terá o que deseja.
O olhar de Cícero de repente se tornou feroz, seu punho cerrado tremia levemente.
Ele desferiu outro golpe pesado na lateral do rosto de Luciano, virando seu rosto completamente.
As palavras de antes foram como uma faca, abrindo o coração de Cícero.
Ele desferiu aquele soco.
E perdeu até a força para cerrar o punho novamente.
Seu peito subia e descia, seu olhar era frio, feroz, implacável.
Ao lado, Fausto observava os dois homens, e depois Cícero, de braços cruzados.
De repente, ficou um pouco curioso sobre que tipo de pessoa era essa Valentina.
— Onde ela está?
A voz de Cícero era baixa e rouca.

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