Parecia o som de algo colidindo com outra coisa, um impacto violento.
Em seguida, os alarmes de dois carros dispararam.
Valentina perguntou:
— O que está acontecendo?
Luciano respondeu com uma voz suave:
— Talvez seja outro louco.
Lá embaixo, a colisão de dois carros atraiu os seguranças.
O homem que saiu do banco do motorista tinha uma expressão sombria e fria.
Seu olho estava coberto por uma bandagem, o que assustou o segurança, que rapidamente sacou sua arma de defesa.
Provavelmente o confundiu com uma pessoa perigosa.
Hugo correu apressadamente para negociar com a equipe de segurança.
Cícero ignorou os avisos altos do segurança atrás dele, virou-se friamente e foi embora.
A ferida em seu olho estava coberta por um curativo grosso e pesado.
O segurança continuou a gritar para que ele parasse.
Alguns seguranças de Cícero o protegeram, mostrando suas armas.
O segurança do hotel tinha apenas a licença para portar armas, mas nunca havia se atrevido a usá-la.
Ao ver aquela cena, ele recuou.
Na manhã seguinte, souberam que o barulho da noite anterior fora causado por dois carros.
O carro que Luciano alugara havia sido atingido por um louco.
Luciano teve que pagar pelos danos.
Valentina massageou as têmporas.
— Mas que situação...
— É o preço que se paga para resolver problemas. — Disse Luciano, de bom humor, entregando o dinheiro. — Problemas que o dinheiro pode resolver são os mais fáceis de todos.
Valentina sentiu de verdade a dor daquela grande despesa.
Estava chateada, mas não havia o que fazer.
— Nunca vi ninguém como você, gastando dinheiro e ainda parecendo feliz.
Luciano sorriu, com os olhos curvados.
Ao meio-dia, Luciano, aquele lobo em pele de cordeiro, retaliou da mesma maneira contra Cícero.
Ele pagou na mesma moeda.
Luciano também contratou três homens com espingardas, que o atacaram da mesma forma.
Mas, diferentemente dele, a equipe de segurança de Cícero era numerosa e forte.
Os agressores ficaram feridos.
Cícero observou calmamente os três homens se afastarem, mancando e feridos, sem esboçar reação.
Ele apenas foi trocar o curativo novamente.
As veias vermelhas em seu olho haviam diminuído um pouco.
Mais um dia de tratamento e estaria bom.
Cícero não queria mais se envolver nesse jogo de empurra com Luciano.
Não havia necessidade, e ele não era digno disso.
Um covarde não merecia que ele desperdiçasse mais energia.
Ele chamou Hugo e pediu que ligasse para aquela pessoa, fornecendo o endereço do hotel onde Luciano estava hospedado.
A pessoa do outro lado, após entender a situação, disse com uma voz pesada ao telefone:
— Obrigado.
...
Faltava apenas um dia para a partida.
Sávio havia se apegado ao lugar e, enquanto arrumava as malas maiores, mostrava-se relutante.
— Na verdade, foi bem divertido. Podemos voltar aqui no ano que vem?
Valentina baixou o olhar e sorriu levemente.
— Ficou na sua meia por mais de dez dias, hein?
— Pelo menos tem alguma coisa, não reclame. — Sávio enfiou na mão dela. — Coma escondido, eu fico de vigia. — Ele disse e já ia sair correndo, mas Valentina de repente segurou seu braço e o abraçou com força.
— Sávio.
— ...O que foi?
Valentina ficou em silêncio por um momento e perguntou com uma voz muito suave:
— Você já é um menino grande, com capacidade de pensar por si mesmo. Então, vou te fazer uma pergunta. Se você tivesse que escolher, ficaria com o seu pai ou comigo?
Sávio inclinou a cabecinha.
— Que pergunta é essa? Não posso escolher os dois?
O menino gordinho cheirava bem.
Valentina baixou os cílios.
— É só uma pergunta. Se um dia eu e seu pai nos separarmos, preciso saber sua opinião.
— Você não gosta mais do meu pai? — Sávio perguntou de repente. — Ou não gosta mais de mim? Acha que sou gordo e um incômodo?
— Que bobagem. — Valentina disse em voz baixa. — É claro que eu gosto de Sávio. Foi só uma pergunta.
— ...Ah.
Sávio pensou seriamente.
— Se esse dia chegar, acho que fico com meu pai. Com meu pai eu como bem. Com você, eu só comeria pãozinho o dia todo e ficaria com prisão de ventre.
Valentina ficou em silêncio por um longo tempo antes de rir suavemente.
— Não quer mesmo vir comigo? Eu me esforçaria para aprender a cozinhar.
Sávio hesitou por um momento, mas balançou a cabeça.
— Não.
— Por quê?
Sávio não respondeu.

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