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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 229

Tarde da noite, no aeroporto de Londres, Cícero aterrissou.

O vento era forte e intenso, inflando seu casaco marrom escuro.

Sua figura alta e imponente parecia sombria e solitária na escuridão da noite.

Assim que chegou a Londres, o carro de Cícero foi bloqueado.

Vários carros pararam à sua frente.

Eram motoristas londrinos, e do carro da frente desceu um homem, impecavelmente vestido com um terno.

— O senhor deve ser o Sr. Cícero... — disse ele, mas com um português com sotaque londrino.

A janela do carro de Cícero não foi baixada.

Do banco de trás, ele observava, seu perfil alternando entre luz e sombra.

No banco da frente, Hugo olhou para o homem e interpelou:

— Bloqueando o caminho?

O homem do outro lado sorriu com desdém.

— É uma recepção.

— Sou um homem da Sra. Prado. A Sra. Prado disse que da última vez, no seu país, não teve a oportunidade de tomar um chá com o senhor. Agora que o senhor está no território dela, ela, como anfitriã, gostaria de convidá-lo para uma bebida.

Na verdade, a palavra original de Sabrina tinha sido "toca".

Mas o homem, astuto, usou um termo mais polido.

Vendo que Cícero não respondia, o homem acrescentou:

— A Sra. Prado sabe por que o senhor veio. Vocês dois devem ter o mesmo objetivo. Uma colaboração seria mais vantajosa para ambos.

Hugo olhou para trás, para Cícero, em busca de instruções.

Da escuridão do banco de trás veio uma voz calma e grave:

— Continue dirigindo.

Sem uma palavra a mais.

O motorista também era audacioso e acelerou em direção aos carros que bloqueavam o caminho.

Felizmente, o outro motorista virou o volante rapidamente, caso contrário, os dois carros teriam colidido de frente.

O carro passou em alta velocidade, deixando apenas uma rajada de vento para trás.

O sorriso nos lábios do homem congelou e lentamente desapareceu.

— Que ingrato.

O homem, não tendo conseguido encontrar Cícero, voltou para a Sra. Prado e relatou a situação exatamente como aconteceu.

Sabrina estava fazendo um tratamento de beleza e franziu a testa ao ouvir a notícia.

Ela também tinha acabado de receber a notícia do desaparecimento de Luciano.

Nos últimos dias, Luciano finalmente parecia ter se tornado mais obediente, chegando a sair em três encontros com Uiara.

Embora Sabrina soubesse que ele estava apenas atuando para ela.

Mas não importava.

Ela não esperava que Luciano e Uiara desenvolvessem sentimentos genuínos em tão pouco tempo.

Sabrina só precisava que ele fosse obediente.

Enquanto ele fosse obediente, enquanto ele ainda precisasse dela para agradar aquela Valentina, Sabrina não temia perder o controle sobre ele.

Por isso, voltou para a Inglaterra com tranquilidade.

E quando ouviu que Luciano e Valentina iam realizar um casamento clichê e infantil, ela não se importou, deixou que ele fizesse o que quisesse.

Aquela mulher nem sequer tinha se divorciado.

O nome e a identidade de Luciano em seu país de origem eram falsos.

Não havia como os dois se casarem de verdade.

Crianças gostam de brincar e fazer barulho, então ela o deixou brincar.

Chegou a mandar uma equipe para vigiar, contanto que a notícia não chegasse aos ouvidos de Isaías Prado, ele poderia se divertir como quisesse.

Mas Sabrina realmente não esperava que ele ousasse fugir novamente.

Comentou com a enfermeira ao seu lado:

— ...A semelhança entre os bonitos é impressionante.

Mal deu alguns passos, e uma sombra escura surgiu à sua frente.

Era Hugo.

— Com licença, senhora, posso tomar alguns minutos do seu tempo? — ele perguntou em um inglês com perfeito sotaque londrino.

...

Não estava no hospital.

Valentina não estivera ali, nem havia entrado em contato com ninguém de lá.

Durante três dias inteiros, Cícero refez praticamente todos os passos da vida de Valentina em Londres, incluindo a padaria e o hotel perto do Big Ben.

Nada, absolutamente nada.

Valentina parecia não ter vindo para Londres.

Cícero desviou o olhar por um breve momento, entrou no carro e seguiu para o próximo local.

Por quase três dias, ele não dormiu, não teve uma noite de sono completa.

Os vasos sanguíneos no olho direito de Cícero pareciam ainda mais vermelhos, afetando até sua visão.

Na penumbra da noite londrina, ele estava sentado no banco de trás, observando a multidão que ia e vinha, sentindo que não conseguia mais enxergar com clareza.

A voz de Hugo veio da frente:

— Senhor, quer descansar algumas horas antes de continuarmos?

Seu estado, de fato, não era adequado para prosseguir.

Cícero, com o rosto impassível, fechou os olhos com força.

— Continue procurando.

Anos de envolvimento, anos de ligação.

Valentina sentira amor e ódio por ele, mas, fosse como fosse, Cícero não a deixaria ir como antes.

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