Sávio piscou dentro da palma da mão dela, confuso.
— Valentina, o que foi?
Parecia que algo havia sido colocado em seu bolso. Ele só ouviu Valentina dizer: — Preparei um presente para você. Olhe quando chegar em casa.
— Ah... — Ao ouvir que era uma surpresinha, Sávio piscou novamente. — Ainda não escondeu direito?
— Já escondi.
Valentina o soltou, mas não o deixou se virar. Ela disse: — Mas lembrei que acho que esqueci meu cachecol na casa da vovó. Sávio, você pode ir buscá-lo para mim?
— Agora?
Sávio arregalou os olhos. Eles já haviam andado por dez minutos.
Valentina assentiu: — Estou com um pouco de frio.
Sávio fungou e suspirou: — Tudo bem, então. O que eu não faço por você?
Ele deu meia-volta e refez o caminho.
Só então Valentina ergueu os olhos e olhou novamente para aquele lugar no restaurante.
A conversa entre os dois continuava.
De fato, como Sabrina havia dito, eles formavam um belo par, muito compatíveis.
Ela observou em silêncio por um momento.
Só então empurrou a cadeira de rodas para longe.
Na direção da casa de Neusa, no meio do caminho, encontrou Sávio correndo, ofegante. — Não está lá... não está na casa da vovó. Onde será que você deixou?
— Então talvez eu tenha esquecido em algum lugar.
A expressão de Valentina não revelava muito, apenas um sorriso leve. — O caminho de volta é um pouco longo. Vou chamar um táxi.
De volta ao quarto do hospital, Sávio não viu Luciano.
Ele o procurou por todo o quarto, até mesmo atrás da tampa do vaso sanitário: — Onde está meu pai?
Como não o encontrou, enviou-lhe uma mensagem de áudio: — Pai, onde você foi? Eu e a Valentina estamos no hospital, tá? Quando terminar o que está fazendo, venha nos encontrar.
Valentina não ouviu a voz de Sávio.
Ela estava sentada na cama do hospital, dobrando com muito cuidado e atenção o pequeno casaco e o suéter, e os embalando.
Estava pensando em quando poderia pedir para Tadeu vir buscá-los sem atrapalhar seus estudos.
...
O celular de Luciano estava no silencioso.
— Ultimamente, ele vinha sendo constantemente incomodado por aquelas ligações.
Por isso, não recebeu a mensagem de Sávio imediatamente.
Por isso, mesmo que Sabrina tentasse separá-lo de Valentina por todos esses anos, nunca encontrou uma nora substituta adequada.
Esta Uiara, naturalmente, veio por conta própria.
Sua linhagem, embora não fosse capaz de elevar o status de Luciano a um patamar superior, vinha de pais eruditos, uma família de intelectuais.
Isso não só era vantajoso para a própria Sabrina, mas também beneficiava enormemente a carreira política de Isaías Prado.
Afinal, um político de ascendência como ele precisava do apoio de várias forças locais.
Uiara o observou pagar a conta dos dois.
Quando ele estava prestes a sair sem hesitação, ela disse: — Pelo que eu sei, sua namorada se chama Valentina.
Luciano parou, virou a cabeça de lado, e seu olhar já era gélido. — Se você me conhecesse melhor, saberia que não me deixo ameaçar.
— Não seja tão defensivo. Eu sou apenas uma garotinha indefesa, não posso fazer nada contra ela. — Uiara abriu as mãos e sorriu. — Eu também tenho um namorado. O que quero dizer é que, já que ambos precisamos de alguém para lidar com o casamento, por que não nos juntamos e vivemos felizes os quatro? Depois do casamento, você vive a sua vida, e eu vivo a minha.
Luciano permaneceu com uma expressão indiferente.
— Desculpe, mas não compartilhamos dos mesmos princípios.
Uiara suspirou. — Que tal assim, então? Vamos ceder um pouco e superar este período. De qualquer forma, você também está sendo pressionado pela sua mãe, e eu preciso escolher alguém para sair. Quem melhor do que você? Se eu saísse com outra pessoa, teria medo que ela se apaixonasse de verdade por mim.
— Este acordo é vantajoso, Luciano. Pense bem quando chegar em casa.
— Com o temperamento da sua mãe, ela nunca permitirá que você fique com aquela médica. Você deveria saber disso melhor do que eu.

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