O constrangimento foi rapidamente dissipado.
Uma mão de dedos longos e bem definidos retirou o copo de bebida dela.
Renato, com uma voz calma e compassada, tomou o drink de um gole só.
Ele disse: "Deixa que eu cuido disso."
O coração de Elisa deu um leve sobressalto.
Beber destilados e fechar negócios já tinha virado um hábito para ela.
Vicente nunca achou isso um problema; na verdade, quando ela ficava bêbada, ele a achava um incômodo.
Parece que era a primeira vez que alguém a impedia de beber.
Ao lado, um garçom trouxe para Elisa uma taça de vinho tinto de baixa graduação alcoólica.
Olhando para o líquido vermelho intenso, Elisa abaixou o olhar e esboçou um sorriso sutil.
Elisa se recompôs, pensando que se Renato ficasse bêbado, ela poderia assumir o controle.
Porém, até o final da tarde, quando o almoço terminou, Renato não apresentou nenhum sinal de embriaguez.
O único papel de Elisa nesse almoço foi servir bebidas para Renato.
Após se despedirem dos convidados, Renato lançou um olhar de soslaio para Elisa e disse: "Chame um motorista de aplicativo para você voltar para casa."
"Certo."
Ela conferiu a hora no relógio e balançou a cabeça: "Sr. Faria, eu ainda tenho compromissos. Vou chamar um motorista de aplicativo para você."
Renato franziu ligeiramente o cenho, lançou-lhe um olhar de lado e concordou.
Elisa observou Renato se afastar, respirou fundo e então chamou um táxi para o Clube das Águas.
Mesmo apressada, acabou chegando um minuto atrasada.
Ao abrir a porta, a música ensurdecedora da sala quase rasgou seus tímpanos.
Marcelo estava sentado em um sofá de couro, com um braço ao redor de cada uma das mulheres sensuais de cintura fina e quadris largos.
Ao avistar Elisa, Marcelo semicerrrou os olhos e, após um tempo, deu um sorriso zombeteiro.
"[Esta senhorita, nosso Sr. Lopes sempre cumpre o que diz. Se você não se apressar em tirar, daqui a pouco será mais uma peça.]"
A garota de queixo pontudo ao lado de Marcelo a incentivou, cobrindo a boca com um sorriso malicioso.
Marcelo se levantou, caminhando em direção a Elisa, com um olhar que exalava desejo e rancor.
"[Irmã Elisa, meu tempo não está disponível para ser desperdiçado assim. Além disso, da última vez que você me atacou, eu levei três pontos. Então, você deve tirar mais uma peça.]"
O cheiro forte de álcool e cigarro misturado com perfume barato tornava o ambiente sufocante, quase fazendo Elisa querer vomitar.
Elisa franziu a testa.
Marcelo parou por um momento, segurou o queixo de Elisa com força e falou com uma voz melosa, carregada de insinuações.
"Há um ano, quando você foi drogada, mesmo confusa ainda chamava pelo nome de Vicente."
"[Chamava de um jeito tão envolvente, encantador, que quase derreti meu coração, desejando ser seu irmão Vicente.]"
"[Mas, recentemente ouvi dizer que seu irmão Vicente arrumou uma nova irmãzinha, você foi descartada por ele?]"

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