"Eu não estou pedindo a opinião do Sr. Tavares, estou apenas informando você. Este projeto, eu só estou encarregada de negociar."
O escritório ficou em silêncio.
Todos olharam surpresos para Elisa.
Elisa sempre seguiu à risca as palavras do Sr. Tavares, mas agora estava contrariando Vicente?
Era como se o sol tivesse nascido no oeste.
Ignorando os olhares curiosos dos colegas, Elisa pegou todos os documentos do projeto e se virou para sair.
Ela não queria ficar ali nem mais um minuto.
Vicente observou a silhueta fria de Elisa se afastando, enquanto uma onda de raiva fervia em seu interior.
Seus olhos, normalmente calorosos, agora estavam frios, e ele franziu a testa, soltando uma risada seca.
Elisa, depois de tudo isso, já não é hora de parar?
Ela conversava animadamente com seu rival, e ele suportou.
Ela o desafiou na frente de todos, e ele também suportou.
Clara percebeu sua tensão e, repentinamente, começou a chorar, agarrando a manga de seu paletó.
"Sr. Tavares, a culpa é minha por deixar Elisa resolver os problemas. Ela tem razão em estar brava comigo. Não a culpe."
Vicente baixou ligeiramente o olhar, esboçou um sorriso e, discretamente, retirou sua mão, com uma voz que soava quase divertida: "Você não fez de propósito, não se culpe tanto."
Assim que chegou em casa, Elisa recebeu uma ligação de um número desconhecido.
Ela atendeu.
"Irmã Elisa, como você está?"
A voz do outro lado era oleosa e arrogante, o que a deixou desconfortável.
Marcelo, ele a encontrou.
Elisa apertou o celular, tentando manter a calma: "Sr. Lopes, há quanto tempo."
"É emocionante que a Irmã Elisa ainda se lembre de mim."
Marcelo gargalhou.
No segundo seguinte, sons de gemidos femininos vieram pelo telefone.
O rosto de Elisa perdeu a cor.
"Sr. Lopes, vamos falar sobre trabalho mais tarde."
Ela tentou desligar.
Marcelo, no entanto, riu. Sua voz era aguda, como uma cobra venenosa: "Irmã Elisa, eu estou sempre ocupado, só tenho tempo para ligar enquanto estou na cama com alguém."
Ele continuou: "Você ainda se lembra de mim, isso me comove. Vamos fazer assim, domingo, às cinco da tarde, no Clube das Águas. Não falte."
Bip—
A linha ficou muda.
Marcelo não deu a Elisa chance de escolha ou negociação.
Elisa recostou-se no sofá, sentindo o corpo fraco, franzindo as sobrancelhas delicadamente.
Renato tinha marcado com ela para o domingo ao meio-dia.
Marcelo, no domingo à tarde.
Este domingo, ela realmente estaria ocupada.

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