Clara era, na verdade, uma excelente nadadora.
Mas como Vicente se preocupava com ela, acabava achando perigoso.
Quanto a Vicente perdoá-la ou não, ela já não se importava mais.
Elisa abaixou os olhos e respondeu distraidamente: "Entendi."
Ela soltou a mão do homem e se preparou para deitar.
Mas seu pulso foi novamente segurado por ele, e a distância entre os dois se reduziu de repente.
Tão próximos, Elisa conseguiu sentir o leve cheiro de álcool que vinha dele.
"Elisa é sempre tão compreensiva. Da próxima vez, seja ainda mais boazinha..."
O homem roçou suavemente a ponta do nariz dela, seu olhar pousando nos lábios dela.
Elisa, indiferente, o afastou.
Vicente hesitou, sua voz ficando um pouco mais fria: "Ainda está chateada?"
"Não."
Ela realmente não estava mais chateada.
Era só que Vicente havia escolhido Clara, e ela estava prestes a se casar, então manter uma distância respeitosa era bom para ambos.
Sua voz era calma, quase sem emoção.
Vicente a olhou por um momento: "Tá bom, então descanse. Amanhã de manhã, o irmão faz um mingau pra você."
Elisa acenou com a cabeça, sem responder.
Ela sabia que Vicente estava tentando agradá-la com ações; antes, isso a deixaria feliz.
Mas desta vez, seu coração não se abalou nem um pouco.
Depois que o homem saiu e fechou a porta, surpreendentemente, Elisa dormiu muito bem a noite toda.
Quando acordou, já era manhã do dia seguinte.
Ela não se levantou tão tarde, mas ao descer, encontrou apenas restos de comida na mesa.
Ninguém a chamou para o café da manhã, naturalmente, e o mingau prometido por Vicente na noite anterior não foi feito.
Elisa curvou os lábios, pediu a Lourdes para limpar a mesa e preparou seu próprio mingau.
Ela podia se virar muito bem sozinha.
O toque frio durou um instante, e antes que Elisa pudesse reagir, Vicente já a havia soltado e entregado um documento.
"Dê uma olhada."
Elisa baixou os olhos e folheou o documento — [Plano Trienal da Filial].
Seu tom era indiferente: "O que isso significa?"
Vicente a envolveu pela cintura, em um gesto afetuoso, mas Elisa só queria se afastar.
"Elisa, você agora é capaz de lidar com as coisas sozinha, deve buscar horizontes mais amplos."
"Quer dizer que pretende me enviar para a filial?" Elisa franziu o cenho involuntariamente.
A filial era recém-estabelecida, distante e mal estruturada.
Agora, pedir que ela abandonasse seu trabalho árduo para ir para a filial era como uma espécie de exílio.
Seu trabalho, suas conexões, tudo teria que começar do zero.
E depois que ela saísse, quem se beneficiaria de seus esforços?
Elisa o observou por um longo tempo e perguntou: "Por quê?"

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