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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 93

A ligação foi atendida quase imediatamente.

Do outro lado da linha, Tatiane ouviu o choro do bebê.

No mesmo instante, o coração dela se apertou com força. Vinha se esforçando ao máximo para não pensar na criança. Durante o dia, até conseguia se distrair, fingir que estava tudo sob controle. Mas à noite… À noite era diferente. Não havia como evitar. Só lhe restava olhar as fotos no celular e chorar em silêncio.

Agora, ouvindo o choro tão nítido, tão real, uma dor surda começou a se espalhar pelo peito, onda após onda.

Por alguns segundos, ela sequer ouviu a voz de Henrique.

— Tatiane.

A voz do homem soou mais firme, um pouco mais alta.

Ela voltou a si de repente. Inspirou fundo, ajustou a respiração e disse, em um tom contido:

— O acordo de divórcio. Mande alguém entregar o quanto antes. Eu não posso sair de casa, e o feriado do Carnaval está chegando.

O choro do bebê continuava ao fundo, misturado à voz suave da babá tentando acalmá-la.

— Vou providenciar o envio. — Respondeu Henrique.

— Certo.

A ligação foi encerrada.

Tatiane largou o celular ao lado do sofá. As lágrimas começaram a cair sem controle. Ela enxugava, mas voltavam. Caíam de novo, insistentes.

Na sala silenciosa, só se ouvia o som baixo de seus soluços. Até que, por fim, não conseguiu mais segurar. Abraçou os próprios joelhos e chorou alto, como se o peito estivesse prestes a se partir.

Quando Marcos e Mônica voltaram para casa, já perto do meio-dia, Tatiane havia conseguido se recompor. Estava deitada na cama, descansando, com o rosto sereno demais para quem havia chorado tanto.

Mônica lavou e cortou frutas, levou até o quarto. Também trouxe bolinhos de castanha, os preferidos de Tatiane, ainda quentinhos.

— Acabaram de sair do forno. Come logo, senão esfriam. — Disse ela.

— Tá bom… Obrigada, mãe. — Respondeu Tatiane, em voz baixa.

Mônica sorriu e saiu do quarto, indo para a cozinha preparar o almoço.

Patrícia havia entrado de férias mais cedo. Depois de terminar algumas pendências do trabalho, passou para visitar Tatiane, levando várias compras de fim de período. No dia seguinte, viajaria para Porto Nobre, onde passaria o Carnaval.

Leandro e Sérgio foram vê-la ainda naquele dia. Leandro também era de Porto Nobre e voltaria para lá junto com Patrícia.

Depois do jantar, todos se despediram.

— Tati, a gente se vê depois do Carnaval. — Disse Patrícia.

— Tá bem. Depois do Carnaval. — Respondeu Tatiane.

Dois dias depois.

Tatiane recebeu o acordo de divórcio que Henrique mandara entregar.

Henrique deu alguns passos largos à frente e estendeu os braços para pegar a criança.

— Deixa comigo.

Da rigidez estranha de antes, ele passara, pouco a pouco, a uma naturalidade surpreendente. Agora, já segurava a filha com firmeza e cuidado, como se sempre tivesse sabido como fazer.

Henrique a acomodou junto ao próprio ombro. A palma grande da mão batia de leve em suas costas, em um ritmo constante.

— Não chora, Bia. O papai tá aqui.

Ela ainda chorou um pouco em seus braços. Logo o som foi diminuindo, até desaparecer por completo.

Quando a bebê finalmente se acalmou, Henrique se sentou no sofá com ela. Usou um lenço próprio para bebê para limpar o rostinho molhado e, em seguida, pegou a mamadeira que a babá lhe estendia. Testou a temperatura e começou a alimentá-la.

As mãozinhas macias da criança seguraram a mamadeira com obediência. Os olhos ainda estavam avermelhados, o olhar carregado de um ressentimento miúdo, frágil, de dar dó.

Henrique observava a filha em silêncio. No fundo dos olhos, transbordava um carinho puro, instintivo. O afeto inconfundível de um pai.

Sentada ao lado, Bianca suspirou:

— Ela é mais apegada a você.

Quem diria.

Aquele homem conhecido pela frieza, pela distância emocional, acabara se revelando um bom pai.

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