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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 134

Beatriz levou a mão até a coroa de flores que usava na cabeça e disse, toda feliz:

— Foi a tia Evelyn que fez pra mim.

Karine sorriu com suavidade.

— E a Bia agradeceu à tia Evelyn?

Pelo tom naturalmente íntimo com que falou, qualquer um pensaria que ela era a mãe de Bia.

— Já agradeci. — Respondeu Beatriz.

Karine então se endireitou e olhou para Tatiane.

Com gentileza, comentou:

— A senhorita Evelyn leva jeito com as mãos.

Tatiane sorriu de leve.

— O importante é que a Bia tenha gostado.

Beatriz correu até o pai para lhe mostrar a coroa. E, sempre que Henrique olhava para a filha, havia em seus olhos a mesma ternura sem reservas, como se, mesmo colocando diante dela todos os tesouros do mundo, ainda achasse que não era o bastante.

Tatiane observou pai e filha.

Karine também.

Embora soubesse esconder muito bem as próprias emoções, Tatiane ainda percebeu aquele traço estranho que escapou por um instante do olhar da outra mulher.

O sexto sentido de uma mulher raramente falhava.

Karine tinha ciúmes de Bia.

Ciúmes do amor e da atenção que Henrique dedicava à menina.

Como se tivesse sentido o olhar de Tatiane, Karine virou o rosto em sua direção. Mas, quando a encarou, já estava completamente recomposta. Então perguntou com delicadeza:

— A senhorita Evelyn veio trabalhar aqui hoje?

O crachá pendurado no pescoço de Tatiane já deixava a resposta evidente.

Tatiane respondeu:

— Vim fazer uma entrevista exclusiva.

— Entendo... Então já terminou?

A intenção por trás da pergunta era clara demais.

Karine estava dizendo, sem dizer diretamente, que já estava na hora de ela ir embora.

E Tatiane entendeu no mesmo instante.

Por mais que relutasse em se afastar da filha, ela não tinha motivo algum para continuar ali.

Assentiu e, em seguida, voltou-se para Henrique.

— Sr. Henrique, então eu vou me despedir.

Henrique ainda nem havia respondido.

Beatriz falou às pressas, ansiosa:

— Papai, a tia Evelyn pode almoçar com a gente?

Karine se aproximou dela, inclinou-se para pegar Beatriz no colo e começou a afagar de leve a cabecinha da menina, tentando acalmá-la:

— Pronto, Bia... Não vamos atrapalhar a tia no trabalho, tá? Hoje a tia Kari fica com você.

A insatisfação no rostinho de Beatriz era visível.

Ela voltou a olhar para Tatiane.

E, ao ver aquela expressão carente e cheia de expectativa no rosto da filha, Tatiane sentiu o coração se retorcer de dor.

Mas ela realmente não podia continuar ali.

— Tchau, Bia.

Depois de dizer isso, Tatiane fez um leve aceno respeitoso para Henrique e, sem se permitir hesitar nem por um segundo, virou-se e foi embora.

Só quando saiu do prédio da empresa conseguiu, enfim, soltar o ar que vinha prendendo no peito havia tanto tempo.

Ergueu o rosto para o céu e piscou com força, tentando conter a ardência nos olhos. Levou a mão ao canto deles, secou discretamente a umidade e, depois de se recompor, seguiu em direção ao carro.

Enquanto caminhava, ligou para o advogado Thiago.

A ligação foi atendida.

— Dr. Thiago, a intimação do tribunal já foi enviada?

Do outro lado da linha, Thiago respondeu:

— Hoje, muito provavelmente, ela já deve chegar às mãos do Sr. Henrique.

— Certo. Entendi.

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