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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 128

Com um único olhar, ela reconheceu as costas de Henrique, com Beatriz nos braços.

Eles estavam parados diante de uma prateleira cheia de produtos dos Minions. Ao lado dele, Karine segurava um bichinho de pelúcia amarelo e sorria, como se perguntasse a Beatriz se ela tinha gostado.

Tatiane não conseguia ver a expressão da filha.

Também não sabia o que Karine estava dizendo.

Mas, vistos de longe, os três pareciam exatamente uma família feliz.

Sem entender, Noemi também olhou para trás e logo notou Henrique.

Não foi difícil.

A presença dele chamava atenção demais. O rosto, a postura, o porte impecável — bastava ver o perfil daquele homem para ficar impressionada. Era bonito em um nível absurdo, sem ficar nada atrás do irmão dela.

— Tati, o que você está olhando?

Noemi nunca tinha visto Henrique.

Por isso, não fazia ideia de que aquele homem era justamente o pai da filha de Tatiane e seu marido apenas no nome.

Tatiane baixou os olhos e desviou o olhar.

— Nada.

Nesse momento, Leandro se aproximou com Ceci no colo.

Ceci já tinha escolhido o que queria e, toda animada, mostrou as compras para a mãe e para a madrinha.

Tatiane afagou de leve a cabecinha dela.

Já não tinha mais cabeça para continuar escolhendo. Pegou dois copos quaisquer, quase sem olhar.

Leandro foi até o caixa pagar, e então os quatro saíram da loja de lembranças.

Só que o humor que Tatiane levara tanto tempo para recuperar desabou de novo por causa da cena que acabara de ver.

Mesmo assim, ela controlou muito bem as emoções e não deixou transparecer nada.

Pouco depois, Ceci viu um personagem de que gostava e ficou toda empolgada.

Noemi começou a tirar fotos dela com o boneco.

Tatiane e Leandro ficaram um pouco mais atrás, observando as duas.

Foi então que Leandro perguntou, de repente:

— Você está mal?

Tatiane voltou a si e ergueu os olhos para ele.

No fim, apenas esboçou um sorriso contido. Nem ela mesma sabia o que dizer.

— Você ainda não conseguiu decidir como vai ver a sua filha? — Perguntou Leandro.

Ele tinha visto Henrique e Beatriz havia pouco.

O olhar de Tatiane pousou em Ceci, e uma tristeza profunda transpareceu em seus olhos.

— Para a Bia, eu simplesmente não existo como mãe no mundo dela. Eu também não sei como me aproximar... Talvez o melhor seja só olhar de longe, como uma estranha, e ver que ela está feliz.

Henrique, com certeza, jamais tocaria no assunto dela diante de Bia. Para a menina, o papel de mãe era apenas um vazio, algo completamente desconhecido.

E Tatiane também tinha medo de atrapalhar a vida que Beatriz levava agora.

— Se você ainda não sabe o que fazer, então, de fato, o melhor é continuar sendo uma estranha. — Disse Leandro.

Tatiane soltou um som baixo.

— Uhum...

Mas, no instante seguinte, a garganta apertou, e ela precisou engolir o choro.

Leandro baixou o olhar para os olhos avermelhados dela. Ia dizer alguma coisa quando, nesse momento, o celular de Tatiane vibrou.

Ela tirou o telefone da bolsa.

Era uma ligação de Roberto.

— Vou atender rapidinho.

Leandro apenas assentiu.

Tatiane caminhou até um lugar relativamente mais vazio, respirou fundo, controlou as emoções e só então atendeu.

— Alô. O que foi?

Ao ouvir o barulho da multidão do outro lado da linha, Roberto perguntou:

— Está passeando onde?

— No Universal Studios.

— À noite, quer jantar comigo? Eu pago.

Tatiane curvou os lábios em um sorriso.

— Bom, se é você que vai pagar, seria burrice recusar.

Roberto riu.

— Então está bem. Quer que eu vá buscar vocês?

— Não precisa. O professor Leandro está com a gente agora. Me manda só o endereço, que depois a gente vai direto para lá. — Respondeu Tatiane.

Roberto soltou uma breve resposta.

Tatiane quase riu, incrédula.

— Como sempre, o sr. Henrique não é só arrogante e mal-educado, como também completamente sem noção. O quê? Eu por acaso tenho olhos na nuca para ter pisado em você de propósito? Ou vai dizer que o sr. Henrique é um perseguidor e resolveu ficar de propósito atrás de mim?

Henrique curvou os lábios em um sorriso frio, carregado de ironia.

— Você realmente gosta de se achar importante.

Tatiane franziu a testa.

Os visitantes que passavam por ali iam e vinham sem parar e, de vez em quando, alguém ainda virava a cabeça para olhar na direção dos dois.

Juntos, chamavam atenção demais.

Tatiane já não queria perder mais tempo com aquele homem. Quando estava prestes a sair dali, ouviu alguém comentar em voz baixa que os dois pareciam um casal brigando.

Ela virou o rosto na direção da voz e viu duas garotas olhando para eles com os olhos brilhando de curiosidade.

No instante em que perceberam que Tatiane tinha olhado para elas, as duas ficaram visivelmente sem graça.

Tatiane se aproximou e falou com educação:

— Com licença... Vocês podem me vender essa garrafinha de água?

As duas se surpreenderam por um instante. Uma delas olhou para a garrafa, já pela metade, e logo a estendeu para Tatiane.

— Não precisa pagar. Pode pegar.

Tatiane não insistiu. Apenas aceitou.

— Obrigada. Ah, e só para esclarecer: eu não tenho nenhum tipo de relação com ele. Eu jamais me interessaria por um homem desses, com a cabeça estragada e um caráter deplorável.

As duas garotas ficaram mudas.

Ao ouvir aquilo, o rosto de Henrique escureceu de imediato.

Tatiane voltou até ele, abriu a garrafa de água mineral e despejou a água diretamente sobre o sapato social do pé esquerdo, exatamente o que ela tinha pisado.

A poeira foi lavada na hora, deixando apenas uma mancha úmida no couro.

Henrique abaixou os olhos para o sapato.

A expressão dele ficou ainda mais sombria.

Tatiane ergueu o olhar e encarou aqueles olhos frios, capazes de gelar qualquer um.

— Pronto. Agora está limpo.

Dito isso, jogou a garrafa vazia na lixeira, virou-se e saiu em passos firmes na direção do banheiro feminino, entrando na fila como se nada tivesse acontecido.

Henrique permaneceu parado no mesmo lugar.

Num raio de quase dois metros, ninguém se atrevia a chegar perto dele.

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