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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 117

Ao ouvir aquilo, Tatiane interrompeu os passos por um instante e ergueu os olhos para o homem alto e bonito à sua frente.

Ela entendeu quase de imediato o que ele estava insinuando.

Por dentro, só conseguiu achar aquilo ridículo. Patético, até.

Um leve sorriso frio surgiu no canto de seus lábios.

— O que o Sr. Henrique quer dizer com isso?

Henrique baixou os olhos para encará-la. Seus olhos longos e escuros eram profundos demais para que alguém conseguisse decifrar o que ele sentia.

— Já ouvi dizer, há muito tempo, que o Sr. Leandro é um homem discreto, de poucos desejos e avesso a escândalos. Pelo visto, a Srta. Evelyn realmente tem muito charme.

Tatiane sorriu, embora os olhos continuassem frios.

— Vou tomar isso como um elogio, vindo do Sr. Henrique.

Naqueles poucos segundos de troca, o elevador já havia subido.

Tatiane estendeu a mão e apertou novamente o botão.

Permaneceu parada no mesmo lugar, ignorando por completo a presença do homem ao lado.

Henrique se virou e saiu a passos largos. Enquanto se afastava, atendeu o telefone.

— O papai já está indo para casa.

Ao ouvir a voz dele, Tatiane ergueu levemente o rosto e puxou o ar devagar, tentando conter a saudade brutal que voltava a se revolver dentro dela.

O elevador chegou.

Tatiane entrou.

No dia seguinte, a programação seguiu em mais um dia inteiro de correria.

Pela manhã, as autoridades convidadas fizeram seus discursos.

À tarde, começaram os debates entre os vários setores presentes.

Quando encontrou Henrique, a conversa entre os dois se limitou estritamente ao conteúdo do evento.

Claro, Henrique fez questão de dirigir a Tatiane perguntas afiadas e maliciosas. Diante de jornalistas e de grandes nomes do setor, se ela não soubesse responder ou cometesse qualquer deslize ao falar, isso poderia causar um estrago considerável em sua carreira.

Mas Tatiane respondeu a tudo com perfeição.

Sem se abalar, escapou de cada armadilha que Henrique tentou lhe armar.

No intervalo da programação, com a pausa no meio do dia, os nervos de Tatiane finalmente relaxaram um pouco.

Leandro se aproximou dela e disse:

— O Henrique está pegando no seu pé.

Tatiane tomou um gole d’água e respondeu:

— Pois é. Vai saber qual parafuso dele se soltou.

Ou será que ele a tinha reconhecido?

Mas isso parecia impossível.

Se a tivesse reconhecido de verdade, não estaria apenas implicando com ela daquele jeito.

Tatiane não sabia se era apenas impressão sua, mas tinha a nítida sensação de que havia um traço de deboche no fundo do olhar dele.

Aquele olhar a incomodava profundamente.

Ela não queria continuar ali nem por mais um segundo.

Nesse momento, viu Leandro ao longe e, voltando-se para os demais, disse com cortesia:

— Não vou tomar mais o tempo dos senhores.

Leandro tinha acabado de terminar uma entrevista.

Lucas viu Tatiane se afastar daquela forma, e seus olhos acompanharam a silhueta dela. Quando percebeu que ela havia ido falar com Leandro, uma frustração difícil de esconder atravessou seu olhar.

— A relação dela com o Leandro parece bem próxima.

Henrique voltou os olhos para ele e perguntou, de forma direta:

— Você gosta dela?

Lucas sustentou o olhar de Henrique, mas se surpreendeu por um instante.

— Eu não diria isso. É mais admiração.

O belo rosto de Henrique permaneceu grave, impenetrável.

— Até a admiração precisa ter limites.

Depois de dizer isso, ele simplesmente entrou.

Lucas ainda lançou um último olhar, à distância, na direção de Tatiane, antes de apressar o passo para acompanhar Henrique.

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