Quando Daniela voltou para casa com Glória, a ligação de Benjamin chegou bem naquele momento.
Glória ainda estava dormindo.
Kauê levou ela para o quarto das crianças, no andar de cima.
Viviane também subiu para cuidar dela.
Daniela foi até o sofá da sala e sentou. Com uma das mãos, massageou a parte dolorida da lombar.
— Benjamin, pode falar.
— Estou ligando desta vez porque tenho uma boa notícia para contar à senhora!
A mão de Daniela parou sobre a lombar.
— Eduardo acordou?
A voz de Benjamin estava animada.
— Ainda não. Mas o Dr. Alexandre e alguns especialistas em neurologia fizeram uma junta médica hoje e chegaram a um novo plano cirúrgico. Se esse plano der certo, a probabilidade de o Sr. Eduardo despertar vai aumentar muito!
Daniela apertou os lábios.
— O risco da cirurgia é alto?
Benjamin respondeu:
— O pior resultado seria ele não voltar mais a acordar e passar o resto da vida em estado vegetativo.
Daniela franziu a testa.
— Qual é a probabilidade desse resultado?
— O Dr. Alexandre disse que a chance é de cerca de dez por cento. Com os equipamentos cirúrgicos de última geração importados do exterior, é possível fazer uma incisão menor e aumentar bastante a precisão da cirurgia.
Daniela disse:
— Está bem. Então façam a cirurgia.
Benjamin continuou:
— Mas agora existe uma questão. A senhora e o Sr. Eduardo ainda não se divorciaram, e essa cirurgia precisa da sua assinatura.
— Eu preciso ir pessoalmente? Não pode ser por autorização?
— Pode ser por autorização, sim. Mas a senhora precisa escrever uma procuração. Depois é só decidir quem vai assinar em seu nome.
Daniela perguntou:
— Veja se João aceita.
— Já perguntei ao Sr. João. Ele aceitou.
Daniela disse:
— Então pode organizar.
— Certo. Vou conversar com o hospital e depois ligo para a senhora.
Daniela desligou, deixou o celular de lado e recostou no sofá, exausta.
Passos vieram da escada.
Ela endireitou o corpo e virou a cabeça para olhar.
Kauê entrou na sala e fez um leve aceno de cabeça.
— Sra. Daniela, vou embora primeiro. Se precisar de qualquer coisa, é só chamar.
Daniela assentiu.
Depois que Kauê saiu, Viviane logo desceu.
— Sra. Daniela, acabei de medir a temperatura de Glória. Ela não está mais com febre.
Daniela apoiou uma das mãos na cintura e levantou.
— Que bom. Vou subir e ficar com ela.
Ao ver Daniela segurando a lombar, Viviane disse, preocupada:
Ela não sabia quanto tempo tinha dormido quando acordou sobressaltada com o choro de Glória.
Ao abrir os olhos, o espaço ao lado já estava vazio.
Ela se sentou num sobressalto.
Como o movimento foi rápido demais, sentiu uma fisgada na lombar e respirou fundo de dor.
Glória tinha descido da cama sozinha em algum momento e agora estava encostada na porta fechada, batendo nela.
— Buáá... eu quero a Mariana...
— Glória, a mamãe está aqui...
Daniela suportou a dor que parecia contrair a lombar inteira, saiu da cama e caminhou mancando até Glória.
— Não chora. Mariana vai voltar.
Glória chorava:
— Buáá... eu quero a Mariana...
Daniela pegou ela pela mão, levou até a cama, sentou na beirada e, apertando os dentes para aguentar a dor na lombar, colocou ela no colo.
Sentada no colo de Daniela, Glória chorava com o corpinho magro tremendo sem parar.
Daniela puxou alguns lenços de papel e enxugou as lágrimas dela.
— Mariana foi resolver uma coisa. Para de chorar, está bem? Senão, meu coração vai doer. Quando Mariana souber, o coração dela também vai doer.
Glória já estava com a voz um pouco rouca de tanto chorar.
— Eu quero a Mariana...
Daniela ficou paralisada por um instante.
Ao ver Glória procurando Mariana assim que acordava, uma tristeza amarga tomou conta do coração dela.
Mas ela sabia que Glória não tinha culpa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...