Daniela ergueu os olhos para Mariana e sorriu de leve.
— Eu não sabia do que Glória gostava, então comprei um pouco de cada estilo. Comprei os sapatos de acordo com a numeração que você passou, mas o tamanho pode variar de uma marca para outra. Daqui a pouco, ela pode experimentar. O que não servir, dá para trocar.
Mariana olhou para aquelas roupas, e a testa dela franziu levemente.
— É coisa demais. Glória não vai conseguir usar tudo isso.
Daniela respondeu:
— Não tem problema. Eu já comprei para ela. Se gostar, ela usa. Se não gostar, depois a gente doa, e tudo bem.
Mariana olhou para Daniela, com uma emoção um pouco complexa no olhar.
Daniela estava imersa na alegria de comprar roupas para Glória e não prestou atenção à reação de Mariana.
Quem percebeu foi Giovanna, que ajudava a abrir as embalagens ao lado.
Giovanna observou o jeito de Mariana, como se ela quisesse dizer alguma coisa, mas estivesse segurando as palavras, e ficou pensativa.
Foi nesse momento que o choro de Glória veio do andar de cima.
— Buá! Mariana...
Daniela ficou paralisada por um instante e mal teve tempo de pensar em levantar quando Mariana já virou depressa e correu para o andar de cima.
A rapidez era enorme, e a aflição dela era evidente.
Daniela ficou olhando, atordoada.
Giovanna chegou mais perto dela e baixou a voz.
— Mariana ama Glória de verdade. Quem não soubesse da história até acharia que Glória é filha biológica dela.
Daniela franziu a testa.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, passos vieram da escada.
Giovanna imediatamente endireitou o corpo e virou a cabeça para olhar.
Mariana apareceu carregando Glória, que tinha acabado de acordar.
Glória estava com os braços em volta do pescoço de Mariana, e os olhos tinham ficado vermelhos de tanto chorar.
Daniela sentiu o coração apertar ao ver aquilo.
Ela levantou, caminhou até as duas e estendeu para Glória o vestido rosa de princesa que segurava.
— Olha como esse vestido é lindo. Você gostou?
Glória olhou para o vestidinho diante dela, e um brilho de surpresa passou pelos seus olhos.
Meninas pareciam já nascer gostando de vestidos cor-de-rosa de princesa.
Era quase algo gravado no instinto.
Com Glória não era diferente.
Ela olhou para Daniela, não disse nada e virou a cabeça para Mariana.
Glória encarou Daniela em silêncio.
Depois de um bom tempo, finalmente assentiu por iniciativa própria.
Desta vez, Mariana não precisou orientar de propósito.
O nariz de Daniela ardeu.
Mesmo um pequeno gesto de Glória já era suficiente para deixar Daniela emocionada por muito tempo.
O estado atual de Glória, na verdade, lembrava um pouco o de Ana quando tinha acabado de voltar ao país: corpo frágil, medo de estranhos e uma capacidade de comunicação verbal relativamente limitada.
Mas a situação dela era mais grave do que a de Ana.
Desde que nasceu, ela tinha sido mantida como refém naquela propriedade.
Além de Mariana, não teve contato com mais ninguém.
Em outras palavras, no período mais importante de formação da vida dela, o mundo de Glória tinha apenas o tamanho daquela propriedade, e a única pessoa de quem ela podia depender era Mariana.
Daniela também já estava preparada psicologicamente.
Ela não forçaria Glória a abandonar a dependência que tinha de Mariana.
Isso seria cruel demais para Glória.
Daniela acreditava que, desde que acompanhasse a filha com dedicação, cedo ou tarde Glória aceitaria ela como mãe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...