Ana baixou a cabeça, desanimada, e ficou mexendo nos próprios dedos.
— Tá bom... Tenho tanta inveja do Diego. Ele não só tem pai, como também tem uma mãe tão bonita e carinhosa. Minha mãe também era muito bonita e carinhosa, mas ela mora no céu. Eu só consigo ver ela de vez em quando nos sonhos. E, mesmo quando vejo, não consigo enxergar direito o rosto dela...
Ao ouvir aquilo, o coração de Daniela apertou de repente.
Ela pensou na própria filha.
Se sua filha ainda estivesse viva, como teria vivido nesses últimos cinco anos?
Será que também seria como Ana, desejando o carinho da mãe?
Daniela abraçou Ana depressa e consolou a menina em voz baixa:
— Está tudo bem. No meu coração, você também é minha filha. Você não está sozinha. Você tem seu pai, tem Diego e também tem a mim. Todos nós vamos estar ao seu lado.
— Eu sei. Eu sei que papai, você, Diego, Giovanna, Patrícia, todo mundo é muito bom comigo e gosta muito de mim. Eu não estou sozinha. Se mamãe me vê lá do céu com tanta gente cuidando de mim, com certeza também fica muito feliz.
Daniela abraçou o corpo pequeno de Ana, sentindo uma dor amarga no peito.
Quanto mais compreensiva uma criança era, mais fazia o coração doer.
Daniela acariciou a cabeça da menina.
— Pronto. Agora você e Diego podem ir brincar. Eu e Giovanna precisamos conversar um pouco.
Ana soltou Daniela e segurou a mão de Diego.
— Diego, vamos ver se a Nina está na horta!
— Vamos!
As duas crianças correram de mãos dadas para o jardim dos fundos.
Daniela observou aquelas pequenas figuras animadas, e seu olhar ficou cheio de ternura.
Só depois que as crianças saíram Giovanna olhou para Daniela, com uma expressão séria.
— Ana está mais apegada a você do que ao próprio Simão. Embora eu saiba que isso acontece porque ela cresceu sem carinho materno, Simão ainda vai se casar no futuro. Deixar Ana criar uma dependência tão grande de você talvez não seja muito adequado, não acha?
......
Às nove e dez da noite, no quarto das crianças.
Daniela fechou o livro de histórias, levantou e ajeitou a coberta sobre as duas crianças. Depois, apagou a luzinha de presença.
Ela saiu do quarto e voltou para a suíte principal.
Depois do banho, sentou diante da penteadeira e estava prestes a passar seus cremes quando o celular sobre a mesa vibrou.
Era um número desconhecido do exterior.
Daniela parou por um instante e ficou olhando para aquela sequência de números, como se pressentisse alguma coisa.
Ela pegou o celular e atendeu.
— Alô?
— Daniela, sou eu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...