Sobre a escrivaninha do ateliê, ainda estavam os esboços que Daniela tinha deixado pela metade naquele ano.
Era o amuleto de proteção que ela havia desenhado para os próprios filhos.
Faltava tão pouco para terminar.
As pontas dos dedos dela passaram de leve sobre o desenho.
Uma lágrima caiu sobre o papel e abriu uma mancha úmida.
Daniela tentou limpar, mas as linhas ficaram ainda mais borradas.
Um soluço escapou de sua garganta.
Ela apertou o desenho contra o peito, e lágrimas ardentes caíram de seu queixo tenso e trêmulo.
Seu olhar percorreu cada canto daquele quarto.
No porta-retrato sobre a escrivaninha, ainda estava a foto de casamento dela com Eduardo.
Na foto, ela sorria com doçura.
A felicidade de quem finalmente havia realizado um desejo transbordava daqueles olhos curvados pelo sorriso.
Daniela olhou para a imagem, mas sentiu como se aquilo pertencesse a outra vida.
O bebê em sua barriga chutou de leve algumas vezes.
Ela cobriu a barriga com a mão, caminhou até a escrivaninha e sentou devagar.
Então baixou os olhos para a fileira de gavetas junto aos pés da mesa.
Ela estendeu a mão e abriu a primeira gaveta.
Ali estavam seus desenhos de joias e alguns esboços de Eduardo, feitos nos momentos em que ela ficava entediada.
Ela olhou em silêncio, sem tocar em nada.
Depois, enxugou as lágrimas do rosto e abriu a segunda gaveta.
Seu corpo ficou rígido.
No alto da pilha, havia uma folha com o título dos documentos do pré-natal.
Era a letra de Eduardo.
Daniela tirou os papéis da gaveta. Era uma pilha grossa.
Ela começou a folhear, página por página.
Quem poderia imaginar que Eduardo, sempre frio, calado, acostumado a quase nunca deixar alegria ou raiva aparecerem no rosto, escreveria em segredo palavras como aquelas em cada exame do pré-natal?
Como um garoto inexperiente, ele registrava cada detalhe do crescimento dos bebês.
Então, no fundo, Eduardo também já tinha se importado tanto com ela e com os filhos deles.
Então, no fundo, não era que ele não soubesse agir assim.
Mas, depois, tudo acabou mudando, não foi?
A letra dele era apressada e livre, mas, de algum modo, também parecia diferente da caligrafia que Eduardo usava ao assinar documentos.
Havia pausas muito mais evidentes entre os traços.
Dava para perceber que, quando escreveu aquilo, ele levou cada palavra muito a sério.
Daniela olhou para aquelas linhas escritas à mão. As lágrimas caíram novamente, e ela continuou folheando o próximo exame do pré-natal.
[Hoje fizemos o exame morfológico das vinte semanas de gestação. É um exame muito importante, principalmente em uma gravidez gemelar como a nossa. Felizmente, todos os resultados estavam normais. Daniela e eu vimos o rostinho dos bebês. Daniela disse que eles pareciam comigo, mas, na verdade, eu preferia que eles parecessem um pouco mais com ela.
Só de imaginar duas miniaturas de Daniela, tenho certeza de que seriam lindas e adoráveis!
O doutor Pedro perguntou em particular se queríamos confirmar o sexo dos bebês. Eu vou amar meninos ou meninas do mesmo jeito. Perguntei a Daniela, e ela disse que não precisava saber antes. Afinal, sendo menino ou menina, seriam nossos filhos. Desde que viessem com saúde e em segurança, esse já seria o melhor resultado. Eu também penso assim.]

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...