— Daniela! Daniela...
A voz de Catarina era como uma mão enorme, puxando Daniela à força para fora do sonho.
Quando Daniela abriu os olhos, tudo diante dela estava embaçado.
A mão de Catarina dava leves tapinhas no rosto dela.
— Você está me ouvindo?
Daniela levou a mão ao peito, respirando com dificuldade.
Seu coração batia descontrolado, e cada batida vinha acompanhada de uma dor aguda.
Mesmo que o rosto que tinha visto no fim do sonho virasse cinzas, ela ainda reconheceria.
Como podia ser assim?
Como era possível...
Se Eduardo tinha ido naquele dia, então por que ela ainda tinha passado por tudo aquilo?
Catarina olhou para Daniela, que estava com os olhos vazios, e ficou extremamente aflita.
— Não me assuste. Olhe para mim.
Os cílios de Daniela tremeram de leve.
Pouco depois, ela finalmente voltou a si do impacto do sonho.
Seus olhos se moveram devagar, e a visão também foi ficando nítida aos poucos.
Ela viu Catarina.
— Catarina...
Catarina soltou um grande suspiro de alívio e acabou sentando no chão ao lado da cama, sem forças.
— Você quase me matou de susto...
Daniela franziu a testa e olhou para Catarina, confusa.
— O que aconteceu comigo?
— Quando entrei, vi você segurando o peito, com a boca aberta, como se não conseguisse respirar. Seus olhos estavam fechados, mas você chorava sem parar. Eu fiquei apavorada. Depois, dei tapinhas leves no seu rosto e chamei você pelo nome várias vezes. Só então você acordou.
— Desculpa. Eu assustei você.
Daniela passou a mão pelos olhos e só então percebeu que o rosto estava úmido, todo coberto de lágrimas.
Sua voz saiu muito baixa.
— Tive um pesadelo. Sonhei que, naquele dia, Eduardo foi ao armazém...
Catarina ficou atônita.
Depois, levantou do chão, sentou à beira da cama e encarou os olhos de Daniela.
— Você ainda não conseguiu esquecer Eduardo?
Daniela balançou a cabeça.
O que ela não conseguia deixar para trás era a verdade sobre o sequestro.
O que ela não conseguia abandonar era a resposta que tinha perseguido repetidas vezes durante aqueles cinco anos.
Catarina perguntou:
— Então por que você sonhou com Eduardo?
Não conseguia entender por que, se ele tinha ido até lá, ela e os bebês ainda tinham passado por uma tragédia tão grande.
Não conseguia entender por que Eduardo preferia ser visto como um canalha que abandonou a esposa e os bebês à própria sorte, sem tentar salvar ninguém, em vez de dizer a verdade.
Depois que Eduardo chegou ao local do sequestro, cinco anos atrás, o que mais aconteceu?
Por que Eduardo insistiu tanto para que ela esquecesse?
Inúmeras perguntas giravam em sua mente, e cada segundo parecia durar um ano.
Desde que pediu o divórcio, aquela era a primeira vez que Daniela sentia tanta urgência de ver Eduardo logo.
Ela queria perguntar pessoalmente o que realmente havia acontecido naquele sequestro.
A vibração do celular sobre a mesa interrompeu seus pensamentos.
Daniela voltou a si. Era uma chamada de um número desconhecido.
Depois de hesitar por alguns segundos, atendeu.
— Quem é?
— Sou eu.
A voz fria e autoritária de Leticia veio pelo celular, como de costume.
A temperatura nos olhos de Daniela esfriou de imediato.
— O que você quer comigo?
Leticia disse:
— Eu sou sua mãe. Você bloqueou meu número, tudo bem. Mas agora que eu liguei e você sabe que sou eu, nem é capaz de chamar sua própria mãe de mãe?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...