Heloísa destruiu os documentos em nome de Mariana, jogou tudo no lixo, pegou a bolsa e saiu do banheiro.
Depois de recuperar a aparência original, até a aura dela parecia diferente.
Ao caminhar pelo aeroporto cheio de gente, seus passos eram tranquilos, e havia até um leve sorriso de vitória em seus lábios.
Depois disso, fez o check-in e passou pela segurança.
Durante todo o trajeto, sempre teve a sensação de que alguém seguia seus passos.
Tinha medo de que fosse alguém de Eduardo.
Medo de que Eduardo soubesse que ela queria ir embora e tivesse mandado alguém impedir sua saída.
Afinal, agora ela já tinha perdido o trunfo chamado Diego. Só restava a identidade de Mariana.
Mesmo com Bryan como escudo, ela não tinha como garantir que Eduardo deixaria o passado para trás.
Diego era quem tinha laços de sangue com Eduardo.
Sem uma criança ao lado, Mariana não tinha mais valor.
Para a família Soares, alguém sem qualquer vínculo sanguíneo, no fim das contas, era apenas uma pessoa de fora.
Além disso, ela tinha enganado e manipulado Eduardo, além de ter batido em Diego.
Somando uma coisa à outra, ela nem ousava esperar que Eduardo deixasse ela escapar.
Felizmente, até o momento do embarque, ela não encontrou nenhum alvo suspeito.
Ela agradeceu pelo fato de Eduardo não estar em Costa Clara nos últimos dias.
Embora não soubesse com o que Eduardo estava ocupado, acreditava que aquela era uma chance dada por Deus.
Depois que voltasse à organização, estaria segura.
Pensando nisso, enviou uma mensagem ao superior: [Já embarquei com sucesso.]
Logo, a outra pessoa respondeu: [Depois que o avião pousar, volte diretamente para a sede. Padrinho quer ver você.]
Heloísa apertou os lábios.
Quanto àquele Padrinho, ela sentia medo e cautela.
Desde que entrou na organização, só tinha visto Padrinho uma vez.
Ele usava uma máscara de lobisomem, e não dava para distinguir sua aparência.
Só que, quando falava, carregava o sotaque característico de alguém de Montévia.
Por isso, Heloísa suspeitava que ele fosse de Montévia.
Ela também já tinha perguntado em particular ao superior, mas não só não recebeu nenhuma informação, como ainda levou uma bronca severa.
Só então soube que outras pessoas também já tinham tentado descobrir a identidade de Padrinho, e o fim delas havia sido apenas a morte.
Desde então, Heloísa nunca mais ousou mencionar Padrinho.
Ela usou a identidade de Mariana por cinco anos.
Dez minutos depois, o avião subiu em direção ao céu azul.
Dentro do aeroporto, Heloísa observou o avião rasgar o céu, pendurou a bolsa no ombro, colocou o chapéu, a máscara e os óculos escuros, abaixou a cabeça e foi embora.
Ela não percebeu que, do começo ao fim, havia um par de olhos fixo nela.
A pessoa observou a figura dela caminhando em direção à saída, pegou o celular em silêncio e ligou para um número.
— Ela não embarcou... Entendido. Vou continuar seguindo ela.
......
Quando Daniela recebeu a ligação de Yasmin, já era o entardecer do segundo dia após a partida de Heloísa.
O brilho avermelhado do pôr do sol tingia metade do céu.
Daniela e Giovanna levavam as duas crianças para brincar na praia.
Ana e Diego seguravam pazinhas de brinquedo e baldinhos, agachados na areia, cavando e construindo um castelo.
Não muito longe, as ondas batiam na praia.
Mesmo com a chegada do outono, Costa Clara continuava movimentada.
Como Giovanna cuidava das crianças, Daniela não precisava se preocupar.
Ela estava sentada em uma espreguiçadeira sob o guarda-sol.
Empurrou os óculos escuros do nariz para o alto da cabeça e, com os dedos, prendeu atrás da orelha os fios de cabelo bagunçados pela brisa do mar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...