Desde pequena, Daniela tinha um talento enorme para o desenho.
Sob a educação rígida e cheia de pressão de Leticia desde a infância, esse talento havia sido explorado ao máximo.
Para ela, um simples retrato ficava pronto em poucos minutos.
Daniela largou a caneta e sorriu para Diego.
— Olha só. Ficou parecido?
Diego olhou para o desenho.
Ele abriu um pouco a boquinha, e seus olhos se encheram de encantamento.
Parecia muito.
— Você não diz nada porque eu não desenhei parecido?
Diego ficou um pouco ansioso, balançou as duas mãos e olhou para Daniela, meio gaguejando.
— Você desenhou... ficou muito parecido comigo.
Daniela curvou os olhos em um sorriso.
— Então você gostou?
O rostinho de Diego ficou vermelho de novo.
Só depois ele assentiu, envergonhado.
Daniela sorriu.
— Então este desenho é seu.
Antes que ele reagisse, Daniela já tinha colocado o desenho diante dele.
Diego olhou para o papel, um pouco hesitante.
Daniela incentivou:
— Está parado por quê? Se gostou, guarde.
Só então Diego ergueu a mão aos poucos e pegou o desenho.
Ao ver Diego ainda mais cuidadoso do que antes, Daniela sentiu uma dor no peito.
Uma criança tão obediente e sensata tinha sofrido tanto por causa dos desejos egoístas e das mágoas dos adultos.
Diego olhou para si mesmo no desenho e passou a ponta dos dedos de leve pelo papel.
— Antes, eu entendi algumas coisas do jeito errado e disse coisas ruins para você. Você consegue me perdoar?
— Eu nunca culpei você. Se você não gostava de mim, com certeza era porque eu não tinha feito as coisas direito.
Daniela segurou a mão dele, olhou em seus olhos e disse com ternura:
— Não. Você precisa lembrar que você é muito bom. Sempre foi uma criança muito sensata e muito boa. Quando alguém machuca você, o problema está nessa pessoa. Você nunca deve duvidar de si mesmo por causa dos problemas dos outros.
Diego ficou olhando para ela, atordoado, ainda pensando nas palavras dela.
— Mas elas diziam que eu apanhava porque não era bonzinho e não obedecia bastante...
Daniela franziu levemente a testa.
Ao ouvir Diego dizer aquilo, sentiu o coração apertar com força.
Ela estendeu os braços, puxou Diego para perto e acariciou a cabeça dele com delicadeza.
— O que elas disseram não está certo. Mesmo uma criança não precisa obedecer aos adultos em tudo. Você já tem cinco anos. Você é muito sensato e também pode ter seus próprios pensamentos. Pode dizer com coragem o que pensa. As pessoas que amam você de verdade e se importam com você vão se preocupar com a sua felicidade, com a sua saúde, e também vão respeitar aquilo de que você gosta e o que você pensa. Assim como...
Ela fez uma pausa antes de continuar:
— Assim como seu pai, sua bisavó e Giovanna. Todos eles querem de verdade o seu bem. Quando você fica doente, eles ficam preocupados e tristes. Quando você fica feliz, eles também ficam felizes junto com você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...