— Papai, eu tenho medo... não quero tomar injeção... — choramingou Diego.
Enquanto falava, ele levantou o queixo para olhar para Eduardo, revelando um rostinho bonito.
A respiração de Daniela travou.
Os olhos dela ficaram presos no rosto do menino.
Ele era praticamente a cópia de Eduardo.
E tinha chamado Eduardo de pai.
Então... Eduardo a havia traído?
A cor desapareceu lentamente do rosto de Daniela. Era como se alguém tivesse arrancado um pedaço do seu coração.
A dor era tão intensa que o corpo inteiro começou a tremer.
Eduardo continuava tentando acalmar Diego com paciência.
— Você precisa tomar a injeção para melhorar. Eu fico com você. Vamos ser corajosos, certo?
Diego fungou e perguntou:
— Então, se eu tomar a injeção... você pode dormir comigo hoje à noite? Mamãe disse que amanhã é meu aniversário de cinco anos. Quero abrir os olhos e já ver você!
Eduardo acariciou suavemente a cabeça do menino.
— Pode deixar. Eu prometo.
— Obrigado, papai! Você é o melhor! Eu amo muito você!
Eduardo sorriu de leve.
— Eu também amo você.
A voz infantil e manhosa de Diego, misturada ao tom paciente de Eduardo, era como lâminas cortando Daniela pouco a pouco.
Cinco anos...
Aquele Diego já tinha cinco anos.
O coração dela parecia ser apertado e rasgado por mãos invisíveis.
O estômago revirou violentamente.
Daniela cobriu a boca e se virou às pressas. Curvou o corpo sobre a lixeira ao lado do corredor e começou a ter ânsia de vômito.
O som chamou a atenção de Diego.
Ele virou a cabeça para a esquina do corredor, levantou o dedo e apontou.
— Papai, aquela moça ali parece doente. Ela parece estar passando muito mal.
Eduardo franziu levemente a testa.
Ao ouvir o som do enjoo, uma estranha inquietação surgiu em seu peito.
Ele se levantou com Diego nos braços, pronto para ir até lá ver o que estava acontecendo.
Mas, naquele instante, passos apressados se aproximaram por trás.
— Eduardo!
Eduardo virou ao ouvir a voz.
No mesmo instante, Daniela congelou no meio do enjoo.
Ela conhecia aquela voz melhor do que ninguém.
Vestindo um elegante conjunto profissional, Agatha Pimentel chegou rapidamente até Eduardo. Ela tocou o rosto vermelho de Diego com preocupação.
— O que o médico disse?
— Ele está com uma inflamação, por isso a febre alta não passa. Vai precisar tomar soro. — Respondeu Eduardo em voz baixa. — Vamos pagar primeiro e depois levar Diego para tomar a injeção.
Agatha olhou para o menino com o rosto cheio de preocupação:
— Desculpa... eu demorei.
Diego balançou a cabeça:
— Papai disse que você está ocupada com o trabalho. Eu sei que você trabalha muito. Não vou ficar bravo.
— Você é mesmo muito compreensivo.
Agatha passou a mão na cabeça dele e depois olhou para Eduardo.
— Quer que eu segure ele?
— Não precisa. Ele já está pesado...
Eduardo continuou carregando Diego nos braços.
Agatha caminhava ao lado dele.
Os três juntos formavam a imagem perfeita de uma família.
Aos poucos, foram se afastando pelo corredor.
Na esquina, Daniela se apoiou na parede para não cair.
O rosto estava pálido como papel. As lágrimas embaçavam sua visão.
Até aquele dia, ela jamais teria imaginado que o frio e distante Eduardo seria capaz de trair ela.
Assim como nunca imaginou que Agatha a trairia.
Um era o homem que ela amava com todo o coração.
A outra era a estudante pobre que ela havia tirado da miséria nas montanhas, financiado os estudos dela na universidade e que sempre dizia considerar Daniela como uma irmã.
......
Quando Daniela voltou a si, o carro já estava parado sob uma árvore diante da mansão.
Através do vidro, ela viu o Maybach de Eduardo entrar na propriedade.
O portão automático começou a se fechar lentamente, até bloquear completamente sua visão.
A mão que segurava o volante tremia sem controle.
Ela continuava olhando fixamente para o portão.
Dentro do carro fechado, sua respiração ficava cada vez mais acelerada.
De repente, a porta do carro se abriu com violência.
Daniela desceu correndo, tapando a boca.
Segurou o tronco da árvore e começou a vomitar sem parar.
Depois de um bom tempo, o estômago finalmente se acalmou.
Ela se endireitou com dificuldade, limpou as lágrimas e, apoiada na árvore, virou o corpo devagar.
Olhou ao redor para aquela mansão cujo estilo arquitetônico lhe era dolorosamente familiar.
A dor em seu coração já havia se transformado em entorpecimento.

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