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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 99

Os membros da família Rodrigues concordaram com a cabeça.

Fernanda Almeida segurou as mãos de Cecília:

— Ganhar uma honraria tão grande e não poder contar para ninguém... Não poder mostrar para todo mundo o quanto a minha Ceci é incrível...

— Não tem problema. Eu não gosto de chamar atenção. — respondeu Cecília.

Embora ela soubesse que, mesmo se fosse exposta, qualquer um da Nação de Valdoura que batesse à sua porta só estaria ali para lhe entregar mais medalhas de bandeja.

Mas, honestamente, era muito trabalho.

Vanessa Rodrigues torceu os lábios.

Fingindo que não gosta de chamar atenção? Se a Cecília realmente não quisesse os holofotes, então que devolvesse o certificado e a medalha que pertenciam a ela!

Queria o prêmio, mas queria bancar a humilde.

Que teatrinho ridículo!

— Mas... — Francisco mudou de tom, e um sorriso largo tomou conta de seu rosto. — Uma notícia maravilhosa dessas pode até não ir a público, mas a nossa família com certeza vai comemorar em grande estilo, de portas fechadas!

Ele virou a cabeça e olhou para o mordomo:

— Seu Luccas, faça uma reserva no Pavilhão da Lua, lá no Palácio do Luar. Hoje à noite, vamos fazer um jantar de comemoração para a Ceci!

Ele suspirou enquanto falava:

— Uma pena que o seu segundo e o seu terceiro irmão estão no exterior e não vão conseguir chegar a tempo. Mas vou mandar eles transferirem dez milhões para a sua conta, cada um, como presente!

Vanessa fechou os punhos com força. Seus olhos ficaram vermelhos de tanta raiva.

Pedir dinheiro para os irmãos de novo? E logo vinte milhões de uma vez?!

Cecília mal tinha voltado para casa e já tinha embolsado cinquenta milhões da família!

Nesse momento, Francisco tirou do bolso um cartão de crédito preto com bordas douradas e enfiou nas mãos de Cecília sem dar chance de recusa:

— Ceci, pegue. Esse é o presente do vovô. Tem cem milhões de limite aí dentro. Gaste como quiser, com o que quiser. Se faltar, é só pedir mais para mim!

Cecília olhou para o cartão em sua mão e tentou devolvê-lo:

— Vovô, papai, mamãe... Claro que a gente deve comemorar, mas... isso não é um pouco exagerado? Não dissemos que tínhamos que manter a discrição? A gente podia só fazer um jantar aqui em casa, em família, para celebrar a minha irmã.

— Além disso...

Ela virou a cabeça e olhou para Cecília:

— A minha irmã fez um favor para o país. É o dever de qualquer cidadão da União de Serena do Sul. Dar tantos prêmios assim... não vai tirar o brilho da honra que ela conquistou?

— Que bobagem! — Francisco fechou a cara. — Minha neta prestou um serviço gigantesco. Já é uma injustiça ela não poder ser reconhecida publicamente. A nossa comemoração em família não pode ser qualquer coisinha!

Vanessa mordeu o lábio com força e assentiu, a contragosto:

— O vovô tem razão...

— Ceci, guarde logo esse dinheiro! — Francisco fez uma expressão séria, num tom de ameaça engraçado. — O que o vovô dá, você tem que aceitar. Senão... senão eu não vou mais deixar você fazer acupuntura em mim!

Aquele jeito birrento fez Cecília rir, sentindo-se um tanto impotente diante de tanta teimosia.

— Ceci, pode guardar. O seu avô só vai ficar tranquilo se você aceitar. — Fernanda Almeida fechou a mão de Cecília sobre o cartão black. — É o mínimo que você merece. Nesses últimos dias, você ficou ocupada ajudando o governo e ainda cuidou das pernas do seu avô. Olhe só para você... está até mais magra de tanto cansaço.

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