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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 91

— Meu Deus, é mesmo a mestre Cecília! Segura esse celular direito, Cavalcanti!

— Senhorita Cecília, é a maior bênção da minha vida poder ver a sua técnica! O meu dia inteiro cancelado já valeu a pena! — gritou Seu Guilherme.

— Senhorita Cecília, por favor, se eu não entender algum detalhe, me ilumine depois!

As vozes no vídeo estavam tão empolgadas que pareciam querer implodir os alto-falantes. Cada palavra transbordava uma adoração doentia por Cecília.

Vanessa sentiu a visão escurecer.

Era falso!

Tudo falso!

Até o Dr. João Cavalcanti havia sido enfeitiçado por aquela mentirosa?

Ou será que Cecília realmente...

Não!

Vanessa se recusava a continuar aquele raciocínio.

Ela não suportava a ideia de que o "mestre" que havia feito de tudo para trazer — aquele que iria destruir Cecília — era apenas um inútil.

Ela contava que o Dr. João Cavalcanti fosse expor Cecília, mas lá estava ele, liderando um grupo de lendas vivas, todos rastejando para ver a garota aplicar agulhas?

O corpo de Vanessa tremia incontrolavelmente, frio e duro como pedra.

Cecília... não era só uma caipira do interior?

Não era uma fracassada que nem terminou o ensino médio?

Por que... por que ela sabia tanto?

Será que a história dela salvando pessoas no Hospital de Cidade Capital era mesmo verdade?

Não!

Impossível!

— Vanessa.

A voz suave de Henrique Rodrigues rompeu o silêncio.

Ela deu um salto de susto e olhou em pânico para o irmão mais velho.

Henrique ajustou os óculos, o tom de voz calmo como a água.

— Por favor, acompanhe o Dr. Neto até a saída.

— Chega. Sua intenção foi boa, não estou te culpando. Você passou a noite em claro, volte para o seu quarto e descanse.

O rosto dela perdeu até o último pingo de cor. Ela abriu a boca para argumentar.

Mas, vendo o avô fechar os olhos, entendeu que continuar implorando só causaria mais aversão.

Ainda assim, não queria sair dali.

— Vanessa, não tem problema, vá para o seu quarto. — Fernanda Almeida segurou o braço dela e a puxou para fora do gazebo. — Quando a sua irmã for aplicar a acupuntura no avô, ela vai precisar de silêncio absoluto. Não a atrapalhe.

O tom era de pura gentileza.

Mas, aos ouvidos de Vanessa, soou exatamente como um ataque direto: "A sua presença só atrapalha a Cecília, então suma daqui".

Seus olhos arderam de raiva e humilhação, e lágrimas grossas começaram a rolar pelo rosto.

Dentro do gazebo, Cecília mantinha o semblante intocável, com o olhar focado em Francisco. Ela não dava a mínima para a chamada de vídeo do Dr. João Cavalcanti. Apenas comentou com frieza:

— Não tem problema. Se for para promover a medicina tradicional da União de Serena do Sul, podem fazer as perguntas que quiserem.

Ela fez uma pausa.

— Vou começar.

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