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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 77

— Vanessa Rodrigues.

A voz de Cecília era fria, calma e sem nenhuma oscilação:

— O que é seu é problema seu.

A mensagem implícita era clara: E os problemas dela também não tinham nada a ver com Vanessa. Cuide da sua própria vida.

Vanessa engasgou.

— Agora nós somos da mesma família, querendo ou não... — Ela disse isso com um tom forçado, mastigando as palavras.

Cecília levantou levemente a sobrancelha, sua voz cortante e direta:

— Vinte anos. Até quem cria um cachorro acaba se apegando. Então, já que você ainda serve para agradar o papai e a mamãe, eu não me importo que eles continuem te criando como um enfeite.

O rosto de Vanessa escureceu instantaneamente.

Aquela vadia estava a chamando de cachorro?!

Estava dizendo que os pais a criavam apenas como um animalzinho de estimação para diversão?!

Aquilo era uma humilhação extrema!

— Se quiser ter uma vida tranquila, esconda essas suas intenções sujas, cale a boca e seja um enfeite dócil dentro de casa.

Cecília inclinou-se levemente, o rosto muito próximo ao ouvido de Vanessa. Sua voz caiu para um sussurro gelado:

— Este é o meu último aviso. Se você cruzar a linha... nem mais vinte anos de afeto vão te salvar.

— A minha paciência tem limite. Entendeu?

O tom cortante entrou pelos ouvidos de Vanessa como agulhas de gelo.

Cecília não se importou com a palidez cadavérica no rosto da garota, nem com o corpo que tremia a ponto de desmoronar.

Ela simplesmente passou reto e foi embora.

Para trás, Vanessa continuava paralisada, ouvindo repetidas vezes os ecos daquela ameaça brutal e humilhante em sua cabeça.

Ela sentia um frio na espinha, e suas feições estavam contorcidas de puro ódio.

Cada palavra, cada sílaba de Cecília era uma declaração de guerra escancarada.

— Ela não é sua irmãzinha? Dê um jeito de pegar o notebook que ela carrega na bolsa e me traga.

Vanessa lembrou-se da mochila de lona que Cecília sempre andava arrastando por aí. Ela franziu a testa.

O que o notebook de uma garota do interior poderia ter de interessante?

— Se você conseguir trazer o computador dela para mim, com as minhas habilidades técnicas, vou fuçar em tudo. Vou descobrir os podres dela e ver no que ela está envolvida de verdade. — Ivan soltou uma risada ríspida. — Tendo o rabo dela preso, nós vamos garantir que ela nunca mais ouse fingir ser superior a você. Vamos forçá-la a revelar a sua verdadeira cara na frente de todo mundo, e ela nunca mais vai conseguir se comparar a você.

O coração de Vanessa deu um salto no peito, e suas pupilas dilataram.

Ela olhou mais uma vez na direção em que Cecília havia desaparecido.

Lembrou-se da humilhação terrível que tinha sofrido hoje. Da frieza do professor Erick Serra. Do contraste brutal no tratamento.

E, acima de tudo, lembrou-se de sua família. Aqueles que antes só a mimavam, a amavam e a protegiam... tudo isso agora estava sendo roubado por Cecília.

A inveja e a fúria engoliram o resto de sua sanidade.

Com um olhar envenenado, ela assentiu lentamente.

— Feito!

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