O dedo de Cecília, que repousava na tela do celular, parou de repente.
Ela ergueu o olhar.
Havia um brilho afiado e calculista em seus olhos, carregado de desconfiança.
O momento exato em que o Instituto registrou o problema nos dados centrais foi à uma e trinta e sete da madrugada.
Mas, segundo os cálculos dela...
O código armadilha havia sido implantado exatamente às onze e cinquenta e dois da noite.
Como esse Ivan Lima...
Sabia o horário exato da invasão?
O olhar gélido da garota fez Ivan congelar por um segundo.
Mas logo o sorriso convencido voltou aos seus lábios.
"Viu só?", pensou ele. "Mais uma garotinha chocada com o meu brilhantismo técnico."
Uma garota de alto nível daquelas, idolatrando-o assim...
Só de imaginar, o ego dele inflava.
Ivan suavizou a voz, adotando um tom ainda mais galanteador:
— Mocinha, parece que você está mesmo fascinada pelo nosso Instituto.
— Que tal o seguinte? Assim que eu voltar para a sala de controle e estabilizar a crise...
— A gente pode sair à noite para conversar melhor. O que acha?
— Ivan... — Vanessa Rodrigues cerrou os dentes, furiosa.
"Que vadia!", pensou ela. "Ela seduz qualquer homem que aparece!"
Ivan virou-se para Vanessa com um sorriso debochado.
— O que foi? A novata Vanessa também quer ir com a gente à noite?
— Por mim, tudo bem. Se quiserem uma visita guiada pelo Instituto depois, eu dou um jeito...
Cecília não perdeu mais tempo ouvindo aquele show de arrogância.
Ela recolheu o olhar, passou direto pelos dois e caminhou em direção a outra catraca de passagem.
— Ei, irmã! Por que você ainda insiste em invadir uma área confidencial?! — exclamou Vanessa.
Seu coração deu um salto de alegria ao ver a chance de criar confusão.
Até mesmo Ivan Lima, que vivia naquele lugar, tomou um susto com a ação militar.
Ele agarrou o próprio jaleco em pânico:
— E-eu sou pesquisador daqui...
Enquanto isso, de frente para os canos das armas e sob a aura esmagadora dos guardas...
O rosto deslumbrante e frio de Cecília não demonstrou a menor emoção.
Ela calmamente enfiou a mão no bolso interno da sua bolsa de lona.
Puxou um cartão totalmente preto, sem logotipo nem identificação.
Então, aproximou o cartão do sensor da catraca e ergueu o rosto para o leitor de biometria facial.
Bip.
— Identidade confirmada.
A voz eletrônica soou fria pelo saguão, e as portas de vidro da catraca se abriram lentamente.
Cecília ergueu uma sobrancelha, sua voz soando perfeitamente neutra:
— Posso entrar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Não Implora. Ela Enterra.
Isso sim é muito triste, por mais que Cecília diga para não a apresentarem como membro da família Rodrigues isto não significa que ela não queira ser defendida e amada pelos seus. Acho que eles deveriam ir sim tirar satisfação com estas cobras mal amadas...
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Eu não acredito toda a festa está resumida nesta família Mendes, não esperava isto, esperava algo diferente......
Não aparece ninguém da família dela atual para ajudar que coisa em...
Estava pensando, se Cecília não vai a festa apenas de jeans e camiseta básica que ela sempre usa....
Aplausos , finalmente uma das cupinchas de Vanessa se deu mal ainda não por inteiro, tinha que ser expulsa de vez....
Invejosa, ai que horror....
Hummmm, eu ainda queria adivinhar que ele estava ferido e por isso Cecília agiu assim. Mas se fosse sedução também seria bom né afinal já está na hora desses dois dar um jeitinho na vida a dois pois não?...
Desse jeito então , agora tem que casar, defendendo a reputação do rapaz é claro 😍😍😍😍...