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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 69

O dedo de Cecília, que repousava na tela do celular, parou de repente.

Ela ergueu o olhar.

Havia um brilho afiado e calculista em seus olhos, carregado de desconfiança.

O momento exato em que o Instituto registrou o problema nos dados centrais foi à uma e trinta e sete da madrugada.

Mas, segundo os cálculos dela...

O código armadilha havia sido implantado exatamente às onze e cinquenta e dois da noite.

Como esse Ivan Lima...

Sabia o horário exato da invasão?

O olhar gélido da garota fez Ivan congelar por um segundo.

Mas logo o sorriso convencido voltou aos seus lábios.

"Viu só?", pensou ele. "Mais uma garotinha chocada com o meu brilhantismo técnico."

Uma garota de alto nível daquelas, idolatrando-o assim...

Só de imaginar, o ego dele inflava.

Ivan suavizou a voz, adotando um tom ainda mais galanteador:

— Mocinha, parece que você está mesmo fascinada pelo nosso Instituto.

— Que tal o seguinte? Assim que eu voltar para a sala de controle e estabilizar a crise...

— A gente pode sair à noite para conversar melhor. O que acha?

— Ivan... — Vanessa Rodrigues cerrou os dentes, furiosa.

"Que vadia!", pensou ela. "Ela seduz qualquer homem que aparece!"

Ivan virou-se para Vanessa com um sorriso debochado.

— O que foi? A novata Vanessa também quer ir com a gente à noite?

— Por mim, tudo bem. Se quiserem uma visita guiada pelo Instituto depois, eu dou um jeito...

Cecília não perdeu mais tempo ouvindo aquele show de arrogância.

Ela recolheu o olhar, passou direto pelos dois e caminhou em direção a outra catraca de passagem.

— Ei, irmã! Por que você ainda insiste em invadir uma área confidencial?! — exclamou Vanessa.

Seu coração deu um salto de alegria ao ver a chance de criar confusão.

Até mesmo Ivan Lima, que vivia naquele lugar, tomou um susto com a ação militar.

Ele agarrou o próprio jaleco em pânico:

— E-eu sou pesquisador daqui...

Enquanto isso, de frente para os canos das armas e sob a aura esmagadora dos guardas...

O rosto deslumbrante e frio de Cecília não demonstrou a menor emoção.

Ela calmamente enfiou a mão no bolso interno da sua bolsa de lona.

Puxou um cartão totalmente preto, sem logotipo nem identificação.

Então, aproximou o cartão do sensor da catraca e ergueu o rosto para o leitor de biometria facial.

Bip.

— Identidade confirmada.

A voz eletrônica soou fria pelo saguão, e as portas de vidro da catraca se abriram lentamente.

Cecília ergueu uma sobrancelha, sua voz soando perfeitamente neutra:

— Posso entrar?

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