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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 62

A situação era crítica.

Embora ela tivesse virado a noite consertando os dados centrais, havia etapas que só podiam ser resolvidas presencialmente, em coordenação com os outros especialistas do laboratório.

O Sr. Erick havia dito que tinha encontrado um "parceiro com contatos fortes, habilidades técnicas impecáveis e capaz de resolver problemas especiais".

Ela só não esperava que esse parceiro fosse o herdeiro mais influente da Cidade Capital, Sebastião Guimarães.

Os dois entraram na sala de controle principal do projeto Atlas, o coração do laboratório nacional.

O clima era tenso. Nas telas gigantes ao redor da sala, alarmes vermelhos piscavam freneticamente sobre o módulo de algoritmos centrais.

Dezenas de pesquisadores de jaleco branco, muitos com cabelos grisalhos, corriam ao redor dos painéis de controle em desespero.

A entrada de Cecília e Sebastião fez alguns deles pararem por um segundo.

Um pesquisador gordo, com o cabelo bagunçado como um ninho de pássaro, coçou a cabeça, irritado, e rosnou:

— Vocês dois! Sabem que lugar é esse? Saiam daqui agora!

Como passavam a vida enfurnados em laboratórios, nenhum daqueles homens reconheceu Sebastião Guimarães, mesmo ele sendo uma figura tão famosa na cidade.

— Eu sou... — Cecília começou a falar, sem querer perder tempo.

Mas o homem gordo estava no limite do estresse. Ele acenou impaciente, interrompendo a garota.

— Fora, fora! Este é o Centro de Controle de Segurança Nacional! Não me importa quem vocês sejam, não têm autorização para pisar aqui! Desapareçam, estamos no meio de uma emergência!

Ele gritou tão alto que vários pesquisadores se viraram para olhar, com expressões de reprovação.

Numa crise daquelas, tanto a gritaria do gordo quanto a presença dos dois "intrusos" só serviam para atrapalhar.

Cecília franziu a testa. Seus dedos apertaram a alça da bolsa de lona, denunciando a impaciência.

Quando o homem gordo ameaçou ir para cima deles para empurrá-los, Sebastião deu um passo à frente.

Sua figura alta bloqueou completamente a visão do pesquisador.

A aura preguiçosa desapareceu. Ele levantou o olhar e encarou o homem com uma frieza cortante.

Foi apenas um olhar, mas foi o suficiente para fazer as palavras morrerem na garganta do pesquisador gordo.

Em questão de segundos, gravou todas as rotas de fluxo de dados na memória.

— Tragam todas as alterações de dados desde o reparo de ontem à noite. E sincronizem o trajeto de operação do programa de limpeza na tela principal. — ordenou a garota.

A voz dela era fria e tranquila, mas carregava uma autoridade magnética e inquestionável.

Alguns pesquisadores hesitaram, prestes a obedecer.

Mas o pesquisador gordo, que havia acabado de recuperar o equilíbrio, bateu com força na mesa, vermelho de raiva e humilhação.

— Quem você pensa que é? Acha que vamos entregar dados confidenciais do governo para você?

— Engenheiro Pietro... talvez ela seja a salvação que o diretor Erick chamou... — sussurrou um dos assistentes, apreensivo.

Pietro soltou uma risada cheia de escárnio. Ele mediu Cecília de cima a baixo, com o rosto oleoso distorcido de desprezo.

— Salvação? Quantos anos ela tem? Já é maior de idade? Uma pirralha que mal saiu das fraldas vai nos salvar de quê? Se ela for o reforço do diretor Erick, se ela for mesmo tudo isso, eu me ajoelho aqui e peço desculpa na frente de todo mundo!

— Não precisa. — Cecília ergueu o olhar lentamente. Seus olhos gélidos finalmente focaram em Pietro. A voz soou indiferente e cortante: — eu não quero uma criatura idiota como você me chamando de ancestral.

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