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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 59

Francisco olhou para o rosto limpo e sem maquiagem da garota. As olheiras de exaustão eram evidentes.

Ele franziu a testa, mas controlou bem o seu tom de voz:

— Ceci, a que horas você volta?

Cecília olhou a hora no celular.

— Não tenho certeza. Não precisam me esperar. Eu ligo quando terminar.

Ela acenou educadamente, deu meia-volta e saiu em passos rápidos.

Observando a figura apressada da filha desaparecer, Fernanda Almeida soltou um longo suspiro.

— Essa menina... por que ela está sempre tão ocupada?

Vanessa Rodrigues revirou os olhos disfarçadamente.

Ocupada com o quê?

Só podia estar fingindo.

Até parece que uma caipira do interior, que nem terminou o ensino médio, seria mais ocupada que o pai ou o irmão mais velho? Mais ocupada do que ela, que passava os dias estudando dados, escrevendo teses e indo atrás do professor Erick Serra?

Todos conseguiam arranjar tempo na agenda por ela.

Mas a outra ficava desfilando pela casa como se fosse uma mulher de negócios importante.

Ela apertou os dedos e soltou um suspiro, fingindo tristeza.

— A minha irmã trabalha tanto, né? Nem tempo de tomar café da manhã ela tem.

No entanto, ninguém deu corda para a sua encenação.

Fernanda Almeida continuava olhando para a porta vazia, com os olhos vermelhos e cheios de pena.

— As empregadas me disseram que a luz do quarto da Ceci ficou acesa a noite inteira. Aposto que ela não dormiu nada. E agora sai cedo para resolver coisas... como o corpo dela vai aguentar?

— Mãe, não se preocupe tanto. — Henrique Rodrigues ajeitou os óculos de aro dourado no nariz. — A minha irmãzinha... não é uma garota comum.

Todos viraram o rosto para olhá-lo, meio confusos.

— Se até o Henrique está dizendo que ela é excepcional, então é porque a garota é mesmo brilhante. Bem digna do sangue dos Rodrigues!

Vanessa, em pé ali do lado, escutava o avô validando Cecília a cada palavra.

Via os pais e o irmão mais velho acenando em concordância.

Aquela admiração escancarada pela outra cravou no coração de Vanessa como uma faca.

Era ela quem deveria estar recebendo elogios! Era ela quem estava prestes a se tornar aluna do professor Erick Serra!

Se Cecília fosse tão foda assim, já teria se gabado para todo mundo. Por que esconderia o jogo?

Eles nem sabiam o que a garota estava fazendo de verdade e já estavam se enchendo de orgulho? Ridículo!

Vanessa fechou os punhos, fervendo de raiva. Cada vez mais sentia que estava perdendo o seu lugar naquela casa.

Dona Joana, que observava o rosto retorcido de Vanessa de longe, correu para intervir e mudar o foco.

— É verdade! Os filhos criados pelos senhores são verdadeiros prodígios. Olhem para a senhorita Vanessa, por exemplo. Daqui a pouco, ela vai se encontrar com o professor Erick Serra!

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