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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 39

Em frente ao Clube Central.

O esportivo extravagante azul neon freou bruscamente, atraindo os olhares de todos ao redor.

As luzes de neon piscavam intensamente, como uma poluição visual, e as batidas pesadas de música eletrônica vazavam para a rua.

Isaque Pereira desceu do carro segurando a barriga, fazendo uma careta de dor enquanto empurrava um cartão magnético escuro e dourado nas mãos de Cecília.

— Cecília, não vai dar... Vai subindo. Esse é o passe livre pro Salão Imperial. Pode ir direto pro Camarote Presidencial no último andar, os moleques estão te esperando lá!

— Preciso ir resolver uma questão de vida ou morte agora mesmo!

Sem nem esperar pela resposta de Cecília, ele já saiu correndo encurvado, apertando os glúteos em um ritmo frenético.

Cecília: "..."

Ela guardou o cartão no bolso e caminhou em direção à área recém-inaugurada do Clube Central: o Salão Imperial. Era um espaço de ultraluxo, restrito apenas à verdadeira elite de poder e dinheiro da cidade.

Assim que ela pisou no saguão, cercada por uma decoração deslumbrante e luzes indiretas, ouviu um gritinho de surpresa:

— Ué? Aquela não é a minha irmã?

Cecília ergueu os olhos com uma preguiça letárgica e viu Bento Mendes.

Ele usava óculos escuros ridículos dentro da boate, com o braço em volta da cintura de Liliane Mendes, que vestia um impecável vestidinho branco de grife. Os dois vinham exatamente na direção dela.

Logo atrás deles, quatro puxa-sacos os seguiam de perto, aglomerando-se rapidamente para bloquear o caminho de Cecília.

Quando Bento olhou para Cecília, a repugnância e o nojo em seu rosto não podiam ser disfarçados:

— O que você está fazendo aqui?

— Irmã, este... este é o clube mais caro e luxuoso da Cidade Capital. Como você conseguiu nos seguir até aqui?

Enquanto falava, Liliane tirou um cartão de crédito de dentro da sua bolsa de marca:

— A mamãe me deu isso de mesada. Tem cem mil aqui. Pegue esse dinheiro e vá embora, por favor.

Ela mal havia estendido o braço quando Bento agarrou a mão dela, interrompendo-a.

— Liliane, pra que dar dinheiro pra ela? O papai já tentou dar dinheiro e ela, toda arrogante, recusou. Pra que jogar nosso dinheiro fora com esse lixo?!

Ele estreitou os olhos e deu um sorriso frio, cheio de maldade:

— Ou quem sabe... ela veio aqui rastejar atrás do seu noivo.

— O meu Cesar? — Liliane cobriu a boca, fingindo um choque absurdo. Seus olhos ficaram vermelhos, e ela mordeu o lábio, lançando um olhar vulnerável e dolorido para Cecília. — Irmã, eu sei que você é apaixonada pelo meu Cesar. Mas o meu Cesar agora é o meu noivo... Ficar perseguindo ele desse jeito pega muito mal pra você...

Faltou muito pouco para ela gritar aos quatro ventos que Cecília era uma amante descarada.

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