Francisco apertava os dentes de dor. Seu rosto estava mortalmente pálido, mas seus olhos irradiavam uma luz alucinada.
Dentro das pupilas dilatadas pelo tormento físico, expandia-se uma alegria selvagem, à beira da loucura.
Ele agarrou os braços da cadeira de rodas com força, sentindo aquela pontada esquecida pulsando em suas pernas. A emoção era tanta que sua voz arranhou a garganta.
— Dor... Hahaha! Essa dor... isso é maravilhoso! Ceci, não precisa parar, o vovô aguenta! O vovô aguenta tudo!
— O fato de você conseguir sentir dor prova que os caminhos nervosos e as conexões dos meridianos não morreram completamente. A situação está muito melhor do que o esperado. — Cecília finalmente soltou o dedo da perna dele.
— Ufa...
A agonia infernal começou a recuar lentamente.
Francisco desabou na cadeira de rodas, exausto. O aperto de suas mãos trêmulas relaxou e ele puxou o ar em longas e ruidosas lufadas.
Com o rosto banhado pela euforia de um homem que acabara de renascer das cinzas, ele encarou obcecamente as próprias pernas.
Aquelas pernas que haviam sido sentenciadas à morte pelos maiores figurões da medicina mundial. Exatamente onde os dedos de Cecília haviam pressionado, ele podia sentir... espasmos!
Um leve repuxo, quase imperceptível a olho nu.
Um após o outro.
Fracos, mas absolutamente reais.
— Hah... hahaha... HAHAHAHAHA!
Francisco gargalhou como um louco, o peito sacudindo violentamente, e até mesmo seus olhos ganharam um tom vermelho de choro.
Ele olhou para Cecília com um brilho fervoroso, transbordando uma esperança desesperada.
— Ceci... eu realmente... vou me curar?
— Sim. — O rosto sempre impassível de Cecília ganhou um sorriso discreto ao ver a euforia indomável de sua família.
Esse mero sorriso adicionou um charme irresistível e perigoso aos seus traços já naturalmente marcantes.
— Contanto que o vovô suporte essa dor inicial do tratamento, e siga à risca as sessões de acupuntura combinadas com os banhos de ervas...
Ela arqueou os lábios, com uma voz calma, mas carregada de uma autoridade absoluta.
— Em duas semanas, o senhor já poderá tentar ficar de pé com algum apoio externo.
— Duas semanas?!
— Ficar de pé?!
A magnitude daquela promessa foi como uma explosão na sala.
Os pais da família Rodrigues avançaram e sufocaram Cecília em um abraço desesperado, soluçando sem controle.
— Ceci, obrigada... muito obrigada! O papai e a mamãe não sabem nem como começar a te agradecer! As pernas do vovô... o destino dele está nas suas mãos!
Cecília sorriu de leve e balançou a cabeça.
— Nós somos uma família. Cuidar de vocês é a minha obrigação.
O almoço terminou submerso naquela maré de pura felicidade.
Toda a atenção, carinho e admiração da casa se concentraram exclusivamente em Cecília.
Vanessa Rodrigues mordia o lábio inferior até quase sangrar, afogada no próprio ódio.
Mas, com o aviso mortal que o avô acabara de lhe dar, ela não teve a ousadia de soltar um único pio.
Como uma garota que cresceu no meio do mato poderia realmente consertar as pernas que nenhum mestre da medicina internacional conseguiu salvar?
Duas semanas? Ficar de pé?
O interior parecia a vitrine privada de uma boutique de altíssima costura.
Havia fileiras intermináveis de roupas, sapatos, bolsas e joias.
Os olhos de Cecília brilharam de forma enigmática ao varrer as araras.
— Peças assinadas pela YB?
— A Ceci também é fã da YB? — Fernanda quase pulou de alegria. — Isso mesmo, meu amor! Aqui estão todas as peças mais quentes da nova temporada da YB!
Cinco anos atrás, a designer-chefe da YB, Bianca, participou de um dos concursos de moda mais brutais e prestigiados do planeta e faturou o prêmio máximo. Após rejeitar propostas milionárias de impérios da moda estrangeiros, ela retornou ao país e fundou sua própria grife: a YB.
Todas, absolutamente todas as criações da YB saíam exclusivamente das mãos de Bianca.
Com a coroa de campeã mundial na cabeça e uma identidade visual tão audaciosa e magnética que vestia de forma impecável, a YB causou um terremoto e dominou o mundo da moda no instante em que foi lançada.
Apesar de Bianca ser a única mente criativa por trás da grife, o que tornava o lançamento das coleções angustiantemente lento, a obsessão das madames e herdeiras do país não esfriava. Elas jogavam rios de dinheiro implorando por uma única peça nova da YB.
Em menos de meia década, a YB se consolidou como uma lenda global do luxo.
A escassez era o que gerava a histeria, mas aquele closet...
Estava literalmente forrado com os lançamentos mais raros da YB.
Aquilo mostrava perfeitamente o poder absurdo da família Rodrigues.
Cecília fitou o icônico logotipo da grife, familiar até o osso, e assentiu devagar.
— Sim. Eu adorei.
É claro que ela adorou.
Afinal, aquelas eram as suas próprias criações. As obras que ela havia concebido com suas próprias mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Não Implora. Ela Enterra.
Isso sim é muito triste, por mais que Cecília diga para não a apresentarem como membro da família Rodrigues isto não significa que ela não queira ser defendida e amada pelos seus. Acho que eles deveriam ir sim tirar satisfação com estas cobras mal amadas...
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Eu não acredito toda a festa está resumida nesta família Mendes, não esperava isto, esperava algo diferente......
Não aparece ninguém da família dela atual para ajudar que coisa em...
Estava pensando, se Cecília não vai a festa apenas de jeans e camiseta básica que ela sempre usa....
Aplausos , finalmente uma das cupinchas de Vanessa se deu mal ainda não por inteiro, tinha que ser expulsa de vez....
Invejosa, ai que horror....
Hummmm, eu ainda queria adivinhar que ele estava ferido e por isso Cecília agiu assim. Mas se fosse sedução também seria bom né afinal já está na hora desses dois dar um jeitinho na vida a dois pois não?...
Desse jeito então , agora tem que casar, defendendo a reputação do rapaz é claro 😍😍😍😍...