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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 28

— Ceci, vo-você disse... que pode curar?!

Os três membros da família Rodrigues congelaram no lugar. Uma alegria explosiva tomou conta de seus rostos, misturada com uma esperança frágil e cautelosa.

— Ceci, você realmente consegue curar as pernas do vovô?

A colher nas mãos de Fernanda Almeida escorregou e caiu ruidosamente na tigela de sopa devido ao choque.

E foi exatamente esse estalo metálico que trouxe Francisco de volta à realidade. Ele apertou os braços da cadeira com força, e um brilho acendeu no fundo de seus olhos severos.

Mas, em questão de segundos, ele esmagou aquela expectativa.

Ele fechou a expressão e pigarreou.

— Já chega. Eu já disse, esses velhos ossos estão paralisados há anos, eu já me acostumei. A Ceci acabou de voltar para casa, para que trazer isso à tona agora?

Dizendo isso, ele olhou para Cecília, forçando um tom relaxado.

— Ceci, não precisa perder o seu tempo com esse velho inútil. Vamos comer.

Ele sabia perfeitamente o estado irreversível de suas pernas.

Deixar que Cecília tentasse tratá-lo e, caso... falhasse.

A garota não seria consumida por uma culpa terrível?

Ele já estava preso àquela cadeira há tanto tempo, não havia razão para transferir toda a pressão e frustração para os ombros de uma menina tão jovem.

Os pais da família Rodrigues entenderam imediatamente a intenção de Francisco. Eles contiveram a euforia no peito, recusando-se a sobrecarregar Cecília.

Cecília largou os pauzinhos, e seu olhar gélido suavizou-se levemente.

— Vovô, não é perda de tempo. Além disso, cuidar de você é a minha obrigação.

Ela continuou, num tom direto.

— Se importa se eu der uma olhada nas suas pernas?

A voz da garota era perfeitamente serena, como se tudo estivesse milimetricamente sob o seu controle.

Francisco sentiu uma onda de confiança irracional inundá-lo. Seus dedos apertaram os braços da cadeira de rodas com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Um brilho piscou em seu olhar, e seu peito começou a subir e descer intensamente de ansiedade.

— Irmãzinha, por favor, não force a barra só para nos agradar. Durante todos esses anos, os melhores especialistas do país e do mundo examinaram o vovô. Até o Dr. João Cavalcanti, da Associação de Medicina Tradicional, realizou três consultas conjuntas com as maiores autoridades internacionais em neurocirurgia... e todos eles declararam que não havia solução.

Ela fez questão de enfatizar a palavra "especialistas", exibindo um rosto partido de pena e aflição.

— Você tem certeza absoluta do que está prometendo? Não vá dar falsas esperanças ao vovô e depois deixá-lo arrasado...

A preocupação mascarada em cada sílaba era calculada para pisotear sem dó a esperança que a família acabara de abraçar.

E também deixava uma insinuação claríssima: Cecília estava apenas tentando se mostrar e garantir seu espaço. Suas habilidades jamais poderiam se igualar às dos maiores médicos do mundo, e a única coisa que ela conseguiria seria arrastar o avô da esperança para o mais absoluto desespero.

Cecília encarou Vanessa com uma frieza cortante, os olhos negros desprovidos de qualquer emoção.

— Você realmente quer que as pernas do vovô sejam curadas?

A voz gélida da garota penetrou como um picador de gelo, fazendo o rosto de Vanessa travar no lugar. Ela gaguejou, acuada.

— C-claro que eu quero!

Assim que as palavras saíram, uma onda humilhante de constrangimento subiu pelo rosto dela.

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