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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 23

No carro.

Através do retrovisor, o mordomo Luccas observava o rosto deslumbrante e frio da jovem no banco de trás. A empolgação em seu peito ainda não havia desaparecido, e ele não conseguiu se conter:

— Senhorita, a senhora foi... simplesmente divina! Se não tivesse intervindo, meu destino estaria selado!

Mesmo que a culpa do acidente fosse dividida entre ele e Vânia, se Vânia realmente tivesse morrido...

Ele nem ousava imaginar as consequências.

Os olhos do mordomo Luccas marejaram:

— Senhorita, a senhora salvou a minha vida. A partir de hoje, a vida do Luccas pertence à senhora!

A frieza nos olhos de Cecília suavizou um pouco.

— Não foi nada demais.

Ela ergueu levemente a sobrancelha e seu olhar claro percorreu o interior absurdamente luxuoso do carro.

Um Pagani. Um hipercarro que pouca gente no mundo tinha. Não existiam mais de cinco desse modelo no mundo inteiro.

Lembrando-se dos comentários venenosos de Flávia Passos sobre 'voltar para a favela', um sorriso irônico surgiu nos lábios vermelhos de Cecília.

A família Mendes poderia trabalhar por várias encarnações e jamais conseguiria comprar um carro como aquele.

— Mordomo Luccas. — A voz de Cecília soou tranquila. — O que a minha família faz?

Ela precisava reavaliar o patamar da sua verdadeira família biológica.

Ao ouvir isso, o mordomo Luccas se encheu de energia:

— Senhorita, os negócios da família estão espalhados pelo mundo todo! Atuamos em diversas áreas, fazemos de tudo! A senhora tem três irmãos mais velhos... Todos eles são geniais, verdadeiros dragões entre os homens, referências absolutas em suas respectivas áreas. Assim como a senhorita! Dá para ver que são do mesmo sangue!

Ele fez uma pausa, e sua voz embargou levemente:

— Mas a senhora é a única menina! A herdeira que todos aguardaram ansiosamente por anos!

Ele deu ênfase à palavra 'única', e lágrimas de emoção voltaram a brilhar em seus olhos:

Diferente da ostentação cafona de outros novos ricos, cada centímetro daquela propriedade transbordava um luxo discreto e um bom gosto impecável.

Ela sabia que a família Rodrigues era rica, mas... não imaginava que o nível de riqueza superaria tanto suas expectativas.

O carro parou na entrada circular em frente à porta principal.

Assim que o mordomo Luccas desceu para abrir a porta para Cecília, uma voz emocionada, já embargada pelo choro, soou:

— Minha filha! Minha menininha!

Um casal de meia-idade, que já aguardava ansiosamente na porta, praticamente correu na direção dela.

O homem tinha uma postura reta e imponente. Vestia uma camisa branca impecável e exalava uma aura afiada de poder, típico de quem estava no topo da cadeia alimentar.

A mulher usava um vestido de seda elegante e de corte impecável. Era absurdamente bonita. Mesmo com os olhos vermelhos e o rosto banhado em lágrimas, sua postura continuava graciosa.

Ao ver o rosto de Cecília com clareza, ela não conseguiu segurar o choro.

Em poucos passos, ela parou de frente para Cecília e ergueu as mãos, querendo tocar o rosto da filha. Mas hesitou, como se tivesse medo de quebrar uma porcelana preciosa. Com os dedos trêmulos, ela apenas contornou o rosto de Cecília no ar, com medo de assustá-la.

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