Uma sensação de humilhação sem precedentes afogou Renato Mendes, um gênio de ponta que nunca havia provado o gosto do fracasso em sua própria especialidade.
Com o rosto pálido, ele não conseguiu evitar baixar a voz, em um último traço de resistência:
— Diretor, ela... Cecília, por que o senhor acreditou que ela poderia fazer essa cirurgia? Sem abrir o abdômen, sem remover o baço, isso é... simplesmente impossível!
— Diretor Renato, para você, é algo absolutamente impossível de realizar. Mas, para a senhorita Cecília, não. — O diretor Jorge o encarou de soslaio, com um aviso profundo no olhar. — Existem limites que não podem ser ultrapassados. Você só precisa lembrar de uma coisa: se a senhorita Cecília decidiu intervir, é porque ainda não chegou a hora da Vânia morrer.
O coração de Renato Mendes deu um salto doloroso no peito. Ele simplesmente não conseguia entender por que o diretor Jorge confiava tanto em Cecília.
Limites... que não podem ser ultrapassados?
Ele pensou nos últimos quatro anos, na postura covarde e submissa de Cecília dentro da família Mendes.
Onde estava essa mulher todo esse tempo?
O tempo passou, segundo a segundo.
Finalmente, a luz vermelha de Em Cirurgia se apagou.
As portas se abriram.
O mordomo Luccas mal fez menção de avançar.
Renato Mendes, que estivera de guarda do lado de fora o tempo todo, já havia corrido apressadamente para a frente.
Cecília saiu. Ao tirar a máscara, revelou aquele rosto levemente cansado, mas que ainda mantinha uma beleza fria, distante e impecável.
— Como está a paciente?! — perguntou Renato Mendes, impaciente.
Cecília levantou levemente seus olhos apáticos, transbordando uma indiferença nobre e gélida:
— E qual resultado você esperava que eu anunciasse?
Renato Mendes engasgou.
Por uma fração de segundo, ele sentiu como se Cecília tivesse enxergado através dele, lendo a minúscula e obscura maldade em seu coração.
Sim.
Aquela pequena esperança sombria de que a cirurgia falhasse, de que Cecília fosse crucificada na praça pública, para que ele pudesse salvar seu próprio orgulho...
Cecília soltou uma risada nasal, com a voz levemente rouca, carregada de puro sarcasmo.
Em seguida, desviou o olhar:
— A vida foi salva, o baço foi preservado. Se ela seguir a receita que deixei para a recuperação, estará totalmente curada em menos de quinze dias.
O tom de voz era tão casual... como se ela tivesse acabado de resolver a coisa mais insignificante do mundo.
Renato Mendes quase se jogou sobre a maca móvel, observando Vânia Guimarães com desespero.
A jovem estava deitada ali, quieta. O rosto ainda pálido, mas a respiração era visivelmente longa e estável.
Ele passou os olhos pelo monitor cardíaco ao lado.
— Sim! A senhorita Cecília usou apenas os instrumentos médicos exigidos pela medicina tradicional durante todo o processo! Agulhas de ouro, agulhas finas de acupuntura e tudo mais!
— A senhorita Cecília é divina! Toda aquela sequência de aplicação das agulhas... eu me senti vendo um romance de artes marciais ganhando vida!
— Vocês não têm noção! Aquelas agulhas nas mãos da senhorita Cecília foram muito mais precisas que qualquer bisturi! Aquilo não foi uma cirurgia, foi pura arte! Foi algo tão genial e sublime que merece entrar para a história do Hospital de Cidade Capital!
Os dedos da Dra. Chloe até tremiam de emoção:
— E... e o mais importante foi o pó hemostático de ervas preparado pela própria senhorita Cecília!
Cada palavra dita era como uma agulha perfurando os tímpanos de Renato Mendes, destruindo por completo a sua visão de mundo sobre a medicina.
Cecília... realmente tinha conseguido.
Sob aquelas condições terríveis, repletas de riscos fatais, ela realmente conseguiu. Sem abrir a barriga, sem incisões... apenas confiando naquelas agulhas de ouro.
Ela trouxe Vânia de volta da morte certa?
A medicina tradicional... era realmente tão mágica assim?
Ele ergueu a cabeça bruscamente, querendo ir atrás de Cecília para exigir respostas.
Foi quando viu um senhor idoso, com os olhos avermelhados e o rosto cheio de emoção, correr até Cecília e exclamar com a voz embargada:
— Senhorita...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Não Implora. Ela Enterra.
Isso sim é muito triste, por mais que Cecília diga para não a apresentarem como membro da família Rodrigues isto não significa que ela não queira ser defendida e amada pelos seus. Acho que eles deveriam ir sim tirar satisfação com estas cobras mal amadas...
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Já vi tudo o que vai dar de gente ficando pobre depois desta festa não está no gibi,,tudo por ofender Cecília....
Eu não acredito toda a festa está resumida nesta família Mendes, não esperava isto, esperava algo diferente......
Não aparece ninguém da família dela atual para ajudar que coisa em...
Estava pensando, se Cecília não vai a festa apenas de jeans e camiseta básica que ela sempre usa....
Aplausos , finalmente uma das cupinchas de Vanessa se deu mal ainda não por inteiro, tinha que ser expulsa de vez....
Invejosa, ai que horror....
Hummmm, eu ainda queria adivinhar que ele estava ferido e por isso Cecília agiu assim. Mas se fosse sedução também seria bom né afinal já está na hora desses dois dar um jeitinho na vida a dois pois não?...
Desse jeito então , agora tem que casar, defendendo a reputação do rapaz é claro 😍😍😍😍...