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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 136

Cecília o encarou fixamente. Viu a perfeição gélida e perigosa do perfil daquele homem e o olhar de quem já havia vencido o jogo.

Ela não disse nada. Apenas desviou o olhar com naturalidade e voltou a se concentrar nos dados em suas mãos.

Como se aquele pequeno tremor nas águas não passasse de uma ilusão.

Sebastião Guimarães sabia que, por enquanto, já havia provocado o suficiente.

Sem forçar o assunto, ele aproveitou a deixa para mudar de rumo:

— A propósito, a Vânia acordou.

Vânia?

Cecília levou um segundo para lembrar quem era.

Ele estava falando de sua irmã mais nova. A pobrezinha que foi acidentalmente machucada pelo mordomo Luccas, foi parar no hospital e acabou tendo uma crise cardíaca pelo estresse do momento: Vânia Guimarães.

Ela olhou para ele de soslaio.

— Como está a recuperação dela?

— Com você no comando, claro que foi um sucesso. — Sebastião abriu um sorriso nos lábios finos. — Mas assim que ela acordou e soube que você salvou a vida dela de novo, quis muito te agradecer pessoalmente.

— A regra da família Guimarães é clara: a gratidão por uma vida salva deve ser paga à altura.

Cecília se lembrou da garotinha de olhos puros e personalidade animada, e concordou com a cabeça.

— Tudo bem.

— Então, amanhã de manhã, passo na mansão da família Rodrigues para te buscar. — completou Sebastião imediatamente.

Cecília lançou-lhe um olhar que dizia: "Suas segundas intenções estão estampadas na minha cara."

Ainda assim, ela apenas murmurou um leve "Uhum".

O homem curvou os lábios finos. A alegria em seus olhos era tanta que quase transbordava.

Ele parecia exatamente um... demônio sedutor encarnado.

Exalando puro charme atrevido.

— Esse menino é educado demais.

Cecília passou os olhos pela pilha de presentes requintados.

Tiago Rodrigues estava segurando uma caixa de madeira rústica, contendo um conjunto valioso de tintas e pincéis clássicos. A admiração no seu olhar era evidente.

— Esse moleque... sabe exatamente do que a gente gosta. É, não dá para negar que ele se empenhou.

Francisco segurava um bule de chá de argila Zisha, polindo-o carinhosamente. Era óbvio que tinha amado, mas da boca para fora soltou uns resmungos secos.

— Tanta gentileza de repente, aí tem coisa! Acha que eu não sei quais são as intenções dele? Quer roubar a nossa princesinha! Mas não vai ser fácil, não!

Henrique Rodrigues estava lendo uma proposta de projeto para o desenvolvimento de novas energias sustentáveis, que veio embalada como presente. Ele ajustou os óculos de aro dourado e olhou para Cecília.

— Maninha, quando exatamente você conheceu o Sebastião Guimarães? Essa demonstração toda... fica claro que ele está falando sério.

A pergunta fez todos os outros se virarem de imediato na direção dela.

Todos começaram a falar ao mesmo tempo, querendo arrancar detalhes de como os dois se conheceram.

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