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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 130

Mas não demorou muito para Vanessa se arrepender amargamente de ter ficado.

Os pratos luxuosos do Palácio do Luar começaram a ser servidos. Obviamente, a comida preparada pelas mãos de Cecília foi colocada no centro da mesa, na posição de maior destaque.

Faltava pouco para Francisco colocar uma plaquinha luminosa ao lado dos pratos, só para esfregar na cara de todo mundo o talento culinário da sua netinha preciosa!

O clima foi ficando mais descontraído.

Vanessa respirou fundo, engolindo a seco o próprio veneno. Seus olhos varriam a mesa, caçando qualquer brecha para se mostrar e tentar forçar alguma intimidade com Sebastião.

— Sebastião... quer dizer, Sr. Guimarães. — Vanessa descascou um pedaço de caranguejo com as próprias mãos e tentou colocá-lo no prato do homem. — Esse caranguejo marinado é a especialidade do Palácio do Luar. É uma delícia. Eu descasquei para você, experimente.

A carne de caranguejo nem chegou a encostar na porcelana.

O homem usou os próprios hashis para empurrar o prato para o lado.

A carne caiu no vazio.

Ele sequer levantou os olhos. A voz saiu monocórdica:

— Obrigado. Não precisa.

Distante. E educado até demais.

Mas o pior veio logo em seguida. Ele soltou os hashis.

Com aquelas mãos longas e esbeltas, dignas de uma obra de arte, ele pegou um camarão e começou a descascá-lo com a maior naturalidade do mundo.

Seus movimentos eram elegantes e ágeis.

Depois de encher uma pequena tigela com camarões limpinhos, ele a empurrou para a frente de Cecília.

— Prova. Está bem fresco.

Como se não bastasse, ele ainda colocou um potinho com um molho especial bem ao lado da tigela.

Seu olhar, em nenhum momento, desviou de Cecília.

A mão de Vanessa continuava congelada no ar, junto com seu sorriso, que agora não passava de uma careta dura.

Era ver Cecília apenas levantar levemente o olhar, e em seguida aceitar todos os mimos de Sebastião com a maior naturalidade do mundo.

Como se ser servida por Sebastião Guimarães fosse um direito inquestionável dela!

Aquela cena perfurava os olhos de Vanessa como agulhas.

Seu estômago revirava. A comida descia arranhando a garganta. Na sua cabeça, ela amaldiçoava Cecília de todas as formas possíveis.

Dava para dizer que, tirando Vanessa, todos na mesa comeram muito bem e saíram satisfeitos.

O clima geral era de pura harmonia.

Apesar de Francisco ainda olhar para Sebastião como se ele fosse um espertinho querendo roubar seu maior tesouro, mantendo a guarda alta...

Até ele tinha que admitir que a postura protetora e dedicada do homem com sua neta, somada àquela aura de poder inegável, era impecável.

No fundo, ele até sentia um pingo de admiração.

E o resto da família Rodrigues pensava o mesmo.

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