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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 13

Cecília mantinha a cabeça de Kelly prensada contra a parede em uma posição extremamente humilhante.

O rosto da médica roçava com força nos azulejos, deformado pela pressão brutal.

Cecília se inclinou, aproximando os lábios do ouvido de Kelly. Sua voz soou baixa, mas com um frio de gelar a espinha:

— Se der mais um pio, eu garanto que você nunca mais vai conseguir segurar um bisturi na vida.

Ela apertou os dedos, puxando o couro cabeludo de Kelly com força, e sorriu de lado.

— Entendeu?

Um terror absoluto engoliu Kelly Ribeiro. Ela choramingava de dor, com o corpo torcido, apavorada e soltando xingamentos abafados.

Os outros médicos ao redor ficaram paralisados. Ninguém esperava que uma garota tão nova e bonita fosse capaz de espancar um deles ali mesmo, no meio do hospital.

Quando finalmente voltaram a si e tentaram intervir...

— Cecília, solta ela agora!

Um grito furioso cortou o ar.

Um homem caminhava a passos largos na direção delas, usando um jaleco impecavelmente branco.

Ele era alto, de postura elegante e rosto atraente. Usava óculos de armação dourada, e por trás das lentes, seus olhos escuros ferviam de raiva.

Ele era o mais jovem e brilhante diretor de cirurgia do Hospital de Cidade Capital, o gênio da família Mendes: Renato Mendes.

— Cecília, você ficou louca? Isso aqui é um hospital, não é o quintal da sua casa para você fazer barraco! — A voz de Renato era puro gelo. Seu rosto escureceu ao ver sua assistente, sempre tão orgulhosa, sendo prensada na parede por Cecília, chorando aos prantos em um estado patético.

Ele franziu a testa e estendeu a mão, pronto para arrancar Kelly das garras de Cecília.

Cecília levantou os olhos lentamente e o encarou de lado.

Aquele olhar... era morto e vazio.

A mão de Renato congelou no ar, e suas pupilas tremeram.

A garota à sua frente não tinha nada a ver com a imagem que ele guardava dela. Ela não estava mais tentando agradá-lo, nem agia com aquela subserviência medrosa de sempre.

O jeito que ela olhava para ele era tão frio quanto se olhasse para um completo desconhecido.

Ainda era a mesma Cecília que costumava chamá-lo timidamente de "Renato"?

Bang!

Outro baque abafado.

Ignorando completamente a presença de Renato Mendes, Cecília puxou o cabelo de Kelly e esmagou a cabeça dela contra a parede mais uma vez.

Em seguida, soltou a mão.

Kelly desabou completamente. Escorregou pela parede como uma poça de lama e encolheu-se no chão, chorando de dor.

— Dr. Mendes... Dr. Mendes... — ela murmurava, arrasada.

A postura arrogante e as palavras cheias de desprezo fizeram o sangue de Renato ferver de humilhação.

— O ponto de hemorragia está em um ângulo terrível. A tomografia mostra que o edema e a aderência nos tecidos ao redor são severos. — A voz da garota soou casual, disparando jargões médicos e dados exatos como se o exame estivesse projetado na frente de seus olhos.

Por fim, ela cravou o diagnóstico:

— Abrir o abdômen pela medicina ocidental é um risco alto demais, a taxa de mortalidade na mesa é gigantesca. E mesmo que ela sobreviva por um milagre, terá deficiência imunológica para o resto da vida.

— Por isso...

Cecília olhou fixamente para o rosto cada vez mais pálido de Renato Mendes.

— Essa cirurgia, só eu posso fazer.

— Usando os métodos cirúrgicos da medicina tradicional, sem abrir o abdômen e sem remover o baço. Vou salvar a vida dela e o baço dela.

As pupilas de Renato tremeram. Ele mal podia acreditar que a irmã falsa, que ele sempre considerou uma inútil, estava cuspindo termos técnicos avançados com tanta propriedade.

— Medicina tradicional? — A insatisfação de ter sua especialidade questionada ficou nítida no rosto dele. — Cecília, eu sei que você quer competir com a Liliane em tudo, mas, num momento crítico desses, dá para parar de show? Você tem noção de que, se o diretor aparecer aqui, ele pode mandar a polícia prender você na mesma hora?

Foi exatamente nesse momento.

Uma voz autoritária e ofegante ecoou pelo corredor:

— Polícia? Chamar a polícia para quem?

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