Entrar Via

Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 124

Assim que virou no corredor em direção ao Pavilhão da Lua, Cecília sentiu uma presença extremamente forte a seguindo em um ritmo calmo e constante.

Ela nem precisou olhar para trás para adivinhar de quem se tratava.

Sem diminuir o passo, ela perguntou com sua voz fria e indiferente:

— Sr. Guimarães, você não veio ao Palácio do Luar para comer? Por que continua me seguindo?

Com suas pernas longas, o homem deu alguns passos rápidos, encurtando a distância entre eles. Sua figura alta e imponente projetou uma sombra sobre ela.

Cecília pôde sentir o cheiro avassalador que emanava do homem... um aroma marcante e profundo de pinho e fumaça.

Ela se sentiu um pouco desconfortável, não muito acostumada com aquela sensação de ser envolvida pela presença de outra pessoa.

Quando estava prestes a se afastar para criar espaço, a voz rouca e preguiçosa do homem soou perto do seu ouvido, com um tom final que parecia carregar um gancho sedutor:

— Sim, vim para comer.

Cecília parou de andar e virou o rosto para encará-lo.

O homem inclinou levemente a cabeça, olhando para ela com um sorriso raso.

Aquele rosto diabolicamente bonito, iluminado pela luz suave das lanternas tradicionais ao longo do corredor, parecia ainda mais frio, nobre e perigosamente atraente.

Os olhos claros de Cecília piscaram por um breve instante.

— Veio comer e está me seguindo?

— Isso. Seguindo você. — Sebastião Guimarães curvou seus lábios finos em um sorriso despreocupado.

Cecília ficou em silêncio.

Ela claramente tinha feito uma pergunta retórica, não uma afirmação.

Esse homem tinha uma cara de pau considerável.

Enquanto ela o observava, o homem subitamente diminuiu ainda mais o espaço entre eles, inclinando-se em sua direção.

O aroma de pinho misturava-se a um toque extremamente sutil de tabaco.

A combinação era única e incrivelmente agradável.

— Já que devo minha vida à Ceci, não faz mal aproveitar para ganhar uma refeição de graça, não é mesmo? — O homem sorriu de forma provocante e ousada.

Uma onda de calor humano e um clima animado os atingiu na mesma hora.

O ar estava impregnado com o aroma delicioso da comida.

— A Ceci voltou! — Fernanda Almeida foi a primeira a correr para recebê-la, segurando a mão de Cecília com um misto de carinho, preocupação e muito orgulho. — Menina, essa festa é para celebrar você! Como você vai parar na cozinha para trabalhar? Fez tantos pratos, deve estar exausta, não é? Venha sentar e descansar um pouco.

Fernanda Almeida a puxou para uma cadeira e a fez sentar.

Henrique Rodrigues serviu uma xícara de chá quente e colocou na frente de Cecília.

— Irmãzinha, com as suas habilidades culinárias, até os chefs do Palácio do Luar devem ter se rendido, não é?

Francisco também sorria de orelha a orelha, com os olhos brilhando de felicidade.

A família inteira estava imersa em um momento de pura harmonia.

Até que Fernanda Almeida, com seu olhar afiado, notou Sebastião Guimarães entrando logo atrás de Cecília e congelou por um segundo.

— Sebastião?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Não Implora. Ela Enterra.